Filmes

[Filmes] O que interpretei sobre Mãe! (com spoilers)

Expectativa normalmente é um fator decisivo pra qualquer tipo de coisa que você for fazer na vida. Na maioria das vezes, tento manter as minhas baixas para que não me influencie, negativa ou positivamente, em nada que faço ou consumo.
Mas quando se trata de Aronofsky é meio difícil para mim. Mesmo depois do controverso Noé, eu ainda mantinha minhas fichas no jovem diretor. Quando Mãe! teve suas artes de divulgação exibidas, senti que havia algo extremamente incrível naquilo – em Jennifer Lawrence, bela como sempre, pintada em uma floresta com seu coração recém-arrancado em mãos. Era extremamente catártico! Passei algum tempo tentando desvendar o que significaria aquilo, se não sairia decepcionado.
Devo ressaltar que cada um pode ter sua própria interpretação para o que vai ver. Nada é entregado de mão beijada, e é a vivência pessoal que vai revelar o que o filme pode significar para você. Esse texto foi o que compreendi do filme e, sim, vai ter uma chuva de spoilers. Se você ainda não viu, aconselho a repensar se vai clicar no botão abaixo. É por sua conta e risco.
Avisos dados, então vamos lá.

Continue Reading

Literatura, Livros, Resenhas

[Resenha] Golem e o Gênio – Helene Wecker

gg3

Golem e o Gênio (DarkSide, 2015), como o próprio título denuncia, narra a história dessas duas criaturas mágicas que se encontram ao acaso numa Nova York do início do século XX. De um lado, temos Chava, a Golem, uma mulher feita de barro que foi criada para ser a esposa de um jovem alemão que está tentando a sorte na América. No entanto, após um determinado acontecimento, a Golem aporta sozinha nos Estados Unidos, sem ter a quem recorrer.

Do outro lado, temos Amhad, o gênio, essa criatura de fogo e espírito livre que, depois de mil anos preso dentro de um jarro de azeite, se vê livre na América dos anos 1890. Libertado por um latoeiro, o gênio se vê trancafiado em sua forma humana, sem qualquer chance de se libertar ou memórias que possam lhe explicar o que aconteceu.

Continue Reading

Mangás, Quadrinhos, Resenhas

[Resenha] Vitamin – Keiko Suenobu

1

Definitivamente, Vitamin (Editora JBC, 2015) será um mangá que levarei um bom tempo para me desapegar, carregando comigo todas as impressões que ele me trouxe. Asseguro isso porque, mesmo após o fim das 185 páginas que contam a história de Sawako, reabri minha edição para reler trechos, analisar os desenhos, confirmar que aquilo havia, de fato, acontecido. E esse exercício foi tão doloroso quanto ler o enredo pela primeira vez.
Em Vitamin, conhecemos a Sawako, essa estudante de 15 anos prestes a fazer um vestibulinho, que a garantirá entrar num bom colegial japonês. No início do mangá, Sawako é a típica personagem de aventura shoujo: uma garota submissa, sem muitas características que a destaquem e que tenta agradar todo mundo, menos ela mesma. Isso se torna ainda mais claro quando, contra sua vontade, a menina aceita transar com o namorado em sala de aula e é surpreendida por um colega de sala. É aí que o inferno na vida da nossa protagonista começa.

Continue Reading

Vida que acontece

A boa filha a casa volta

Demorou um ano. O domínio foi garantido em julho do ano passado, assim como as postagens foram transferidas do finado Café da Kami há um bom tempo. O layout, porém, veio em meados de junho desse ano – porque foi quando deu para sentar na cadeira e pensar o que eu queria com mais este novo espaço na internet. E ainda estou pensando.

Ficar um ano sem blogar foi estranho. Para quem não sabe, sou rata da blogosfera, com idas e vindas, há doze anos. Meu primeiro blog (algo estranho como coisinhasdasailorwitch) surgiu em 2004, quando eu tinha onze anos. De lá pra cá, surgiram vários endereços que não consegui manter por muito tempo. O Café da Kami foi um deles. Quando a vida pesou, o blog ficou em quinto plano, completamente abandonado.

Mas aqui estamos para começar – de novo. Estamos, porque este blog não será feito apenas por duas mãos (graças a Deus!). Espero que, dessa vez, as coisas deem certo. Farei por onde, pelo menos – e tentarei deixar a vida não me atrapalhar mais uma vez.

Bem-vindos ao Chá mate com limão!

Filmes, Quadrinhos

[Filmes] Homem Formiga é sua estreia de Golias

Na quinta-feira passada, tivemos a estreia de mais um personagem da MARVEL nos cinemas mundiais. Homem-Formiga (Ant-Man, 2015) foi mais uma das apostas arriscadas (lembrando que Guardiões da Galáxias também era visto assim) do estúdio no meio cinematográfico. Ora, trata-se de um dos personagens menos conhecidos da editora e que não conseguiu segurar uma grande história em seus arcos! Porém, tentar nunca é demais…

Quando o trailer foi lançado, era confuso, misturando cenas de comédia, drama e ação que não se encaixavam e forçavam uma união. Não dava para criar muitas expectativas com o material de divulgação.
Não sei se todos que foram ou vão ver o filme sabem, mas o Hank Pym, o primeiro Homem-Formiga, é um dos fundadores dos Vingadores nos quadrinhos. No filme, porém, Pym, interpretado pelo velho conhecido Michael Douglas (que retorna com força ao cinema), já está aposentado de seus atos heroicos como Homem-Formiga. Scott Lang, vivido por Paul Rudd, acabou de sair da prisão e foi chamado por Pym para receber o manto do Formiga e acabar com o plano de um CEO ( Corey Stoll) de criar um traje parecido. Além da filha de Pym, Hope (Evangeline Lilly), temos também Luis (Micheal Peña), amigo de Scott que coloco como uns do melhores personagens do filme. Luis é parte do alívio cômico, junto ao Scott, e faz um ótimo papel como coadjuvante.

A atuação de Rudd é cômica como o esperado. Os poderes do Homem-Formiga no filme são bem trabalhados, e você percebe como o traje é essencial ao personagem, atuando na capacidade de encolher e aumentar. Outro ponto bacana é a relação que se forma entre as formigas e o protagonista, pois o herói aqui se transforma em líder para as pequenas. A participação das formigas no filme são as armas do próprio herói, pois o suporte que elas lhe dão são essenciais.
Além da transição entre macro e micro, o longa traz um pano de fundo com teor bastante emocional, onde temos dois pais e duas filhas que precisam se entender de alguma forma. Outro ponto alto é a batalha final, que não precisou de uma cidade destruída para chamar a atenção e impactar (a batalha no trenzinho é fenomenal!)

Como em todo filme desse universo, espera-se que haja referências aos outros personagens. E, bom, acontece. Não vou listar porque pode perder a graça para alguns, mas são simples e estão lá. Basta conhecer um pouco sobre as produções da Marvel.

Homem-Formiga está entregue. As cenas de ação são ótimas, os personagens estão bem encaixados com seus atores, a qualidade gráfica está, ó: foda. Esse filme acertou, e a Marvel provou que suas apostas tem sido corretas. Que venham mais sucessos! A gente só ganha <3

 

Internet, Series

[Séries] Indicação: Sense8

A Netflix, mais uma vez, nos permite ter contato com uma série bem produzida (vide Demolidor, Marco Polo, Orange Is The New Black, etc). Aqui não se tem muito o que contar. Você pode achar a série cheia de propostas ousadas, com pontos que, em um primeiro momento, parecem desconexos, mas que se conectam aos poucos.

Assim, Sense8 (com autoria de Michael Straczynski  – Guerra Mundial Z – e os irmãos Wachowski – Matrix, Cloud Atlas) possui um enredo que prende o expectador e nos coloca a par de 8 pessoas ao redor do mundo que nunca se viram, mas que terão de se virar para sobreviver porque estão sendo caçadas por uma organização que os vê como uma ameaça à ordem mundial. Nada de super heroísmo, nada de poderes. Aqui sua habilidades, suas emoções e sua história de vida é que contam.

Drama e ficção sãos os pontos bases da série, que nos surpreende com seus personagens reais e com culturas e nacionalidades distintas, mas abordadas de uma maneira simples. Alemã, coreana, mexicana, africana… São inúmeras características que fazem com que você se aproxime ou tente, ao menos, criar uma conexão (sem trocadilhos) com pelo menos um dos personagens. Até mesmo os enredos secundários conseguem desenvolver empatia!

Sense8 é uma mistura de credos e morais, na qual barreiras geográficas e/ou culturais são ignoradas e 8 pessoas desconhecidas se conectam mentalmente. 8, mas também 1. Como isso é possível? A primeira temporada está no Netflix, com seus 12 episódios. Saca lá.

Super recomendada :)

Aquisições, Colecionáveis, Dolls, Nendoroid

[Colecionáveis] Nendoroid Sakura Card Captors.

2

A priori, aconselho a ler esse post ouvindo essa música por motivos de nostalgia. Clique aqui.

Agora sim, vamos ao que importa:

Em novembro do ano passado, foi lançada no mercado, para frenesi dos fãs, a nendoroid da Sakura Card Captors. Para quem não sabe, nendoroids são bonequinhos de plástico da empresa japonesa Good Smile. Completamente desmontáveis, os bonequinhos são no estilo “chibi” ou super-deformed – ou seja, com as proporções do corpo alteradas para causa essa aparência “fofinha”. Eles são feitos de plástico; medem, em geral, 10 cm e custam em torno de 15 dólares.
Logo que eu vi a “nendo” da Sakura, surtei. Sakura Card Captors, ao lado de Sailor Moon, foi um dos meus animes e mangás favoritos da infância. Eu era tão fã que tinha revistinha com a HQ do anime, mangás, estojinho, bolsa, lapiseira, VHS do filme “A Carta Selada”, adesivos… E se pudesse, teria ainda mais coisas. Então, como deixar de lado uma coisa tão absurdamente linda quanto a nendoroid da Sakura?
Minha “nendo” chegou perto do meu aniversário, no início do ano ♥.

1Como eu disse, a boneca é toda desmontável. Você pode trocar a cintura dela (que vem com perninhas dobradas, para ser usadas com o báculo voador ♥), os bracinhos, as mãozinhas, o rosto… Nada é completamente fixo num nendoroid, o que é muito bacana. Você quer mudá-lo toda semana, é mágico!

3O báculo também é desmontável! Temos duas pontinhas dele: uma redonda e uma com um furinho, para você encaixar a carta clow (é a Alada!) que vem com o brinquedo. Mas atenção: MUITO cuidado ao fazer essa troca. Infelizmente, não tive todo o cuidado do mundo e o pino da minha carta quebrou :~ Pelo menos eu o guardei </3
E eu sei que você viu essa foto e pensou imediatamente nisso aqui.

4

 

6Mais detalhes ♥. Não aparece nas fotos, mas a Sakura tem uma calcinha com babados! É MUITO amor!

5Eu sei que você pensou nisso aqui também ao ver essa foto.

7E claro, não podemos esquecer nosso ajudante favorito! Nota para o suporte do Kero: o pino do suporte que se encaixa às costas do boneco é uma bolinha, que permite o Kero se posicionar também de várias formas. ♥

8Nossa equipe favorita ♥

Super aconselho quem quiser comprar uma nendoroid (tanto da Sakura quanto de outros personagens). Os bonecos têm uma qualidade incrível e muitos detalhes, portanto requerem cuidado na hora do manuseio. Só aviso que, infelizmente, a receita está taxando sem dó e nem piedade os bonequinhos :/ Por isso, quando forem comprar, separem logo o dinheiro da taxa </3.

Espero que vocês tenham gostado do post! Grande beijo a todos!

 

Filmes

[Filme] Divertida Mente – Pixar

Todos sabemos que a mente humana é complexa. São várias qualidades e processos mentais; sentimentos; memórias armazenadas… Não é fácil compreender o que acontece dentro da nossa cabeça. Por isso, não dá para descrever Divertida Mente (Pixar, 2015) com outros adjetivos senão ousado e inovador. Desmembrar a psicologia e a psiquiatria humana de uma maneira interessante e acessível em uma animação? Não tinha como essa iniciativa não ser genial.

No filme, somos apresentados à pequena Riley logo em seu nascimento e acompanhamos seu crescimento pela ótica dos personagens principais do longa: suas emoções. Através de Alegria, Tristeza (minha favorita, por sinal), Raiva, Medo e Nojinho (♥), conhecemos a infância tranquila e feliz de Riley. Porém, uma mudança inesperada de cidade transforma esse panorama, trazendo uma revolução à cabeça da menina. É nesse ponto que o longa ganha força e se desenvolve.

São sacadas geniais do início ao fim. Não tem como não considerar Divertida Mente um dos filmes mais profundos e mais significativos da história da Pixar. É sobre psicologia, gente! Então, iremos nos deparar não apenas com as emoções básicas personificadas com cores e texturas, mas também com a maneira como funciona o armazenamento de memórias; com os aspectos que definem a personalidade de alguém (representados no filme por “ilhas” ligadas à sala de controle); com a representação do inconsciente, o funcionamento dos sonhos, a musiquinha chata que gruda na nossa cabeça e não sai de jeito algum… Tudo isso trabalhado de uma forma de fácil entendimento não somente para crianças, mas também para qualquer expectador que não tenha qualquer noção sobre o assunto. Durante as quase um hora e meia de exibição, não consegui parar de pensar em como deve ter sido complexa a pesquisa para a construção do longa.
Outra coisa importante de se falar a respeito de Divertida Mente é a mensagem transmitida. Ainda que vejamos na tela as atividades da cabeça da Riley, é sobre nós mesmos a quem o filme se refere. As emoções básicas não se restringem apenas a uma pessoa, são parte da essência humana e de quem somos. Portanto, cabe a nós respeitá-las independente de quais sejam. Dessa forma, também poderemos nos respeitar no momento em que sentirmos algo. Quem nunca tentou reprimir um acesso de raiva ou lágrimas quando se estava triste? As emoções existem por um motivo e merecem ser sentidas. Esse é o funcionamento natural da nossa psiquê.

Pixar, obrigado por mais uma bela animação emocionante <3

Divertida Mente está em exibição nos cinemas nacionais.