Livros, Resenhas

[Resenha] As Vantagens de Ser Invisível – Stephen Chbosky

Ao mesmo tempo engraçado e atordoante, o livro reúne as cartas de Charlie, um adolescente de quem pouco se sabe – a não ser pelo que ele conta ao amigo nessas correspondências -, que vive entre a apatia e o entusiasmo, tateando territórios inexplorados, encurralado entre o desejo de viver a própria vida e ao mesmo tempo fugir dela.
As dificuldades do ambiente escolar, muitas vezes ameaçador, as descobertas dos primeiros encontros amorosos, os dramas familiares, as festas alucinantes e a eterna vontade de se sentir “infinito” ao lado dos amigos são temas que enchem de alegria e angústia a cabeça do protagonista em fase de amadurecimento. Stephen Chbosky capta com emoção esse vaivém dos sentidos e dos sentimentos e constrói uma narrativa vigorosa costurada pelas cartas de Charlie endereçadas a um amigo que não se sabe se real ou imaginário.
Íntimas, hilariantes, às vezes devastadoras, as cartas mostram um jovem em confronto com a sua própria história presente e futura, ora como um personagem invisível à espreita por trás das cortinas, ora como o protagonista que tem que assumir seu papel no palco da vida. Um jovem que não se sabe quem é ou onde mora. Mas que poderia ser qualquer um, em qualquer lugar do mundo.

 

Acredito que, antes de começar a falar as minhas singelas impressões sobre o livro, devo confessar que eu jamais havia chorado lendo alguma coisa. Nada, nada mesmo. O quão fraca sou para chorar em filmes, sou fria para com livros. Porém, As Vantagens de Ser Invisível (Rocco, 2007) veio para quebrar essa resistência que até então eu tinha.
É difícil falar de um livro que te tocou bastante e que te fez devorar as páginas em quatro dias, mesmo quando se tinha “n” afazeres acumulados. Eu não conseguia desgrudar de Charlie, da sua doçura e da sua inocência. Queria continuar “conversando” com ele, vê-lo abrindo sua vida para mim. Logo nas primeiras páginas, encontrei-me completamente afeiçoada pelo protagonista. Queria abraçá-lo, ser sua amiga e participar de todas as suas experiências juvenis.
Enfim. Charlie é um jovem de quinze anos, meio deprimido, inocente e dotado de uma sensibilidade extrema. Ele vai começar o Ensino Médio, mas está desanimado para retornar ao colégio por não ter amigos. Enquanto tenta superar a timidez a fim de amenizar a sua solidão, Sam e Patrick, dois meio-irmãos que fazem parte do grupo dos “excluídos” da escola, aparecem em seu caminho. A partir daí, Charlie passa a andar com os dois jovens e os três desenvolvem uma forte amizade.

Sam batucava com as mãos no volante. Patrick colocou o braço para fora do carro e fazia ondas no ar. E eu fiquei sentado entre os dois. Depois que a música terminou, eu disse uma coisa:
“Eu me sinto infinito”

Conforme a amizade entre Sam, Charlie e Patrick vai se desenvolvendo, novas experiências de vida vão surgindo na vida do protagonista. O livro é narrado em formato de cartas, para um “querido amigo” que não é identificado durante a cosntrução da história, mas que, com o decorrer da leitura, parece se tornar cada vez mais evidente. Importante falar que a sensibilidade do protagonista transborda pelos seus relatos e pelas reflexões que faz sobre vários acontecimentos – tanto atuais, quanto passados. Charlie divaga ao narrar suas experiências e, às vezes, repreende-se por isso, o que torna a sensação de estar conversando diretamente com ele ainda maior.
Temas como homossexualidade, drogas e violência (física e sexual) são abordados pelo livro. Pela ótica sensível de Charlie, tais assuntos surgem de forma perturbadora, embora não em toda a sua completude, levando-nos a refletir sobre eles e sobre a maneira como ocorrem no período inquietante e difícil da adolescência.
Ao término da leitura, senti-me vazia por não mais “receber” as cartas de Charlie e por não tê-lo mais compartilhando a sua vida comigo. Porque, a todo momento, eu queria me sentir infinita também – junto a ele.

Quanto ao filme, porém, nada posso falar. Infelizmente, não o vi em cartaz em nenhum cinema da minha cidade :( (ou, se havia, deve ter passado pouco tempo). Estou esperando poder baixá-lo em uma qualidade razoável, embora a ansiedade esteja me consumindo. Quem tiver assistido, por favor, compartilhe suas impressões sobre o longa :).

E é isso, pessoal. Até a próxima :)

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No Comments

  • Reply Rafaela Quevedo janeiro 22, 2013 at 2:14 am

    Devo dizer que graças à uma amiga, li esse livro bem antes de te ralgo em relação ao filme que iria ser lançado. Entendo sua resenha, nunca me senti tão… Infinita, lendo algo, como tudo se desenrola, como… Sinto em dizer que me sentia meio desmotivada em relação a escrever, mas depois de lê-lo, senti uma necessitade de buscar essa sensação de ser infinita, como uma aventura que será por toda a minha vida. E a resenha está ótima Kami, realmente soube captar o que o livro tem, sinto em dier que também não vi o filme, estou esperando sair em DVD para adquirí-lo. =D

  • Reply Faby Tsukino junho 9, 2013 at 9:23 pm

    Ainda não tenho esse livro e nem vi o filme, mas quero muito ler e ver o filme, depois de ler sua resenha. ^^y

    • Reply Kamile Girão junho 9, 2013 at 9:42 pm

      Faby, leia! É um livro muito, muito, muito lindo. Vale muito a pena <3

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