Livros, Resenhas

[Resenha] Ratos – Gordon Reece

Sinopse (tirada do Skoob):

Shelley e a mãe foram maltratadas a vida inteira. Elas têm consciência disso, mas não sabem reagir — são como ratos, estão sempre entocadas e coagidas. Shelley, vítima de um longo período de bullying que culminou em um violento atentado, não frequenta a escola. Esteve perto da morte, e as cicatrizes em seu rosto a lembram disso. Ainda se refazendo do ataque e se recuperando do humilhante divórcio dos pais, ela e a mãe vivem refugiadas em um chalé afastado da cidade. Confiantes de que o pesadelo acabou elas enfim se sentem confortáveis, entre livros, instrumentos musicais e canecas de chocolate quente junto à lareira. Mas, na noite em que Shelley completa dezesseis anos, um estranho invade a tranquilidade das duas e um sentimento é despertado na menina. Os acontecimentos que se seguem instauram o caos em tudo o que pensam e sentem em relação a elas mesmas e ao mundo que sempre as castigou. Até mesmo os ratos têm um limite.

Ratos foi o segundo livro do Desafio Intrínseca que li. Como A Culpa é das Estrelas (leia a resenha aqui), mexeu bastante comigo e me fez devorar as 238 páginas com uma angústia e uma voracidade arrebatadoras. Eu não conseguia me desgrudar do livro por mais que quisesse. Era uma necessidade saber o desfecho da história tenebrosa de Shelley e de sua mãe, duas mulheres que passaram a vida sendo humilhadas e contritas, mas que cansaram de permanecer numa atitude passiva.


Shelley é uma menina de dezesseis anos e é a narradora dessa história. Em sua curta vida, já passou por inúmeras situações difíceis e infelizes: viu o pai sair de casa com uma amante não tão mais velha que a filha, sofreu humilhações terríveis na escola (por meninas que, até então, eram suas melhores amigas) e passou traumas intensos, que mexeram com sua autoestima e com sua visão de mundo. Sua única companhia e verdadeira amizade é a sua mãe, Elizabeth, uma mulher admirável que, infelizmente, passou anos tendo suas capacidades subjugadas pelo marido opressor. As duas são pessoas que recuam quando precisam enfrentar momentos de tensão, mesmo quando são injustiçadas ou humilhadas. As duas não brigam. As duas, como diz Shelley, são como ratos – fugindo sempre.
Mas mãe e filha estão empenhadas para recomeçar e esquecer as feridas de outrora. Ambas mudaram-se para o Chalé Madressilva, um lugar muito bonito e agradável, longe do contato da cidade. Elas possuem, agora, um lindo jardim, uma casa que mais parece uma casinha de boneca, tranquilidade e reservam as suas noites para tocar e discutir sobre arte em geral. A vida, agora, parece mais promissora e feliz. Apenas parece.
Ratos é um livro intenso, que desperta sentimentos brutais com o decorrer da leitura. As situações pelas quais Elizabeth e Shelley passam são grotescas, agonizantes. Você torce a todo momento que as personagens tomem atitudes mais agressivas, que deixem o lado contrito e bonzinho de lado, que comecem a vingar todos os males que lhes foram causados. Você odeia o pai de Shelley, detesta as adolescentes que eram as suas amigas, abomina os colegas de trabalho de Elizabeth. Isso para não falar de outras figuras que vão surgindo com o desenrolar da história. E você comemora quando mãe e filha deixam, finalmente, a postura passiva de lado. Ou, como diria Shelley, quando os ratos deixam de ser ratos.
A escrita de Reece é linda. Simples, com descrições que não se tornam cansativas em momento algum, apenas te incitam a terminar a leitura o quanto antes. O detalhamento da personalidade de Shelley (principalmente da sua mãe) são delicados, surgem aos poucos, e a mudança que vai ocorrendo nas duas também é trabalhada com uma gradação perfeita, nem um pouco brusca. O final, porém, me deixou querendo saber mais: o que vai ocorrer depois daquele ponto? O que elas farão? Até me arrisco a dizer que esperei um pouco mais de ação no desfecho.
A leitura foi extremamente prazerosa. Um thriller extremamente bem elaborado e eletrizante, que merece ser lido não apenas pelos fãs do gênero.

Até a próxima!

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