Literatura, Livros

[Resenha] Axolotle Atropelado – Helene Hegemann

Sinopse:

“Vidas terríveis são a maior das felicidades”, desabafa Mifti em seu diário. Aos dezesseis anos, ela assumiu sua condição de “garota-problema” participante da cena underground de Berlim, onde mora desde a morte da mãe. A narrativa de suas experiências, radicalmente influenciadas pelo uso de drogas diversas, faz o leitor mergulhar em uma sequência de acontecimentos paradoxais e incomuns. Em sua busca por uma parceria e por uma compreensão incondicional, ela encontra um mascote exótico e surpreendente: o axolotle — uma espécie de salamandra mexicana que, por um defeito genético, permanece em estado larvário, sem se desenvolver. Com uma linguagem poderosa e inteligente, Helene Hegemann traz em Axolotle atropelado uma torrente de situações nas quais o sonho, o pesadelo e a realidade nua e crua se mesclam, e nem mesmo se diferenciam: apontam para um interessante jogo de intertextualidade e de referências que marca essa novíssima autora da literatura contemporânea.

Desde Eu, Christiane F.: treze anos, drogada e prostituída, livros que abordam o tema “drogas” me atraem. Seja pela crueza com que são escritos, seja pelo choque de realidade  (vejam bem: além de nunca ter me envolvido com drogas pesadas, passo longe de cigarros e bebidas alcoólicas), o fato é que sempre os procuro. Com Axolotle Atropelado, não foi diferente. Porém, admito que o efeito que eu pretendia que a história me causasse não foi o esperado.
Helene Hegemann escreve bem, mesmo que vários trechos de Axolotle tenham sido copiados e alterados de blogs que ela lia (sim, isso aconteceu. E mesmo que haja os créditos ao final do livro, toda essa polêmica deu uma bela confusão). A autora tem uma sensibilidade aguçada e conseguiu se transportar primorosamente para a sua personagem, me fazendo cogitar até mesmo se a própria Helene passou por alguma daquelas experiências. Até aí, tudo bem, mérito da escritora. Contudo, foi essa mesma sensibilidade que prejudicou a minha leitura e me fez dar grandes pausas para fazer aquela pergunta não muito legal: “como é que é?”.
A forma com a qual o livro foi escrito sugere o estado permanente de “viagem” da protagonista, Mifti. A impressão que dá é a de que a menina está drogada da primeira à última página, sem nenhum momento de consciência. E se já é complicado você entender os seus próprios pensamentos enquanto sóbrio, imagine quando se é viciado em heroína? A confusão é instalada desde o início e é bastante complicado você retirar algo de concreto dos relatos de Mifti.  Junte a isso o fato da linguagem chula ser quase predominante na narrativa, dos personagens secundários aparecerem e desaparecerem sem que você saiba como e do axolotle que nomeia a obra ter tido apenas uma rápida aparição. Deu para entender?
Juro que tentei ler o livro de coração e mente aberta, que tentei compreender a mensagem que Mifti queria (ou não) transmitir, que tentei me colocar em seu lugar de menina rica e sem atenção e ver o que a levou a seguir o caminho das drogas… Mas é com pesar que admito que não consegui. Simplesmente não deu, terminei o livro com a cabeça cheia de nós e com a incerteza de que o leria outra vez.  Quem sabe uma segunda leitura não esclareça melhor os meus pensamentos? Só não sei se terei estômago (e juízo) suficiente para pegar novamente em Axolotle Atropelado.
Apesar de tudo, recomendo o livro. Acredito que pessoas que apreciem narrativas quase surreais possam se interessar por Mifti e seus causos. Porém, quem gostar de histórias à Christiane F., prepare-se para encontrar um livro totalmente diferente.  E não, não cheguem com muita sede ao pote.

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No Comments

  • Reply Ariane julho 7, 2013 at 11:56 am

    Dorgas, mano… Dorgas! 😛

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