Diario

[Diário] Nosso almoço

Minha mãe dizia que amizade de cursinho não costumava durar. Ela generalizava um pouco mais quando alegava que as de escola e de faculdade também não, mas a de cursinho tinha aquele “quê”. O convívio diário muitas vezes não ultrapassava o ano em que você se prepara para o vestibular. Geralmente, depois desse período, os estudantes ou passam no vestibular, ou decidem encarar mais um ano no preparatório ou embarcam de cabeça numa faculdade particular. Cada um toma o seu destino.
Geralmente.
Mas aí quando vocês vieram hoje, todo mundo cozinhando para comemorar a aprovação da Fabi, percebi mais uma vez que não é regra geral a amizade iniciar e findar na sala do preparatório. Passei apenas seis meses estudando com vocês, compartilhando preocupações, estresses, momentos divertidos. Lembro quando jogávamos Uno no intervalo, lotando a mesa que não era assim tão pequena. Lembro quando estávamos na sala, um pouco antes do início das aulas, e começávamos a escutar minhas músicas de rock dos anos 80. Lembro os apelidos dados, as primeiras impressões, as nossas aparências em 2010. Lembro da primeira vez em que vocês vieram para cá, e aí nós comemos Habbib’s depois de termos passado uma vergonha sem tamanho dentro do ônibus. Lembro daquela vez em que assistimos Ritmo Quente, dos primeiros aniversários comemorados, dos primeiros shushis jantados, das visitas repentinas, dos momentos difíceis que compartilhamos, dos filmes de terror assistidos.
Lembro de tanta coisa. E já faz três anos desde a última vez em que estive numa sala de aula com vocês.
Enquanto ríamos cozinhando, fofocando e falando besteira, percebi que meu amor por cada um não diminuiu. Não importa se não nos vemos sempre, se não podemos marcar esses pequenos encontros com a frequência que gostaríamos e, muito menos, se não nos falamos religiosamente todo santo dia. Eu continuo os amando da mesma forma que em 2010. Quem sabe até mais.

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