Diario, Rotaroots

[Rotaroots] Uma carta para meu eu de dez anos atrás

Ah, dona Kamile, que saudades da senhora. Mas, espere? Te chamo de Kamile, Makoto ou Kamile Lin? São tantos nomes e nicks que nem ao menos sei qual escolher.
Você me faz falta. Sinto falta dos seu andar saltitante, que as pessoas costumavam interpretar como uma criancice sem tamanho – o que, convenhamos, é o seu direito. Você tem onze anos. Você ainda é uma criança e, como tal, pode pular, correr, brincar de boneca. Ninguém deve te recriminar por aproveitar o melhor da sua vida ou mesmo te reprimir. Ter curvas formadas não significa avançar a idade e pular etapas. Que olhem, que recriminem, que riam, mas continue curtindo a sua infância – ela é rápida e a vida adulta não tem tanto brilho quanto seus coleguinhas acham que tem.
Saudades da sua ingenuidade e pureza, dos finais de semana que sua mãe te deixava curtir a internet discada por uma horinha. Lembro que você adorava aqueles sites de doll maker e, mais ainda, gostava de salvar fotos dos seus animes favoritos e de Harry Potter. Não que elas servissem para muita coisa, mas pelo menos alimentavam a sua fantasia. E as fanfics de Sailor Moon que você adorava ler? Me recordo que sua maior raiva foi ter lido uma perfeita, porém sem final. Que chato, heim?
Lembro perfeitamente bem que você se interessava pela blogosfera, dava seus primeiros passos, criava seus primeiros blogs. Admito que para uma garota acostumada a redigir páginas e mais páginas de diários à mão, montar um “diário virtual” foi uma atitude bastante ousada (sinceramente, agradeço por você ter feito isso).
Ah, e as tardes em que você se deitava naquela rede e ficava assistindo aos clipes da TV União? Você era fã da Avril Lavigne e do Evanescence. Adorava Broken, do Seether com a Amy Lee; I Miss You Love, do Silverchair; The Reason, do Hoobastank, Unwell, do Matchbox Twenty, I Miss You, do Blink 182. E, obviamente, não posso esquecer que você surtava quando era hora de assistir a Tenchi Muyo e Cavaleiros do Zodíaco, na Band. Não perdia um episódio (e gostava de acompanhar com uma cocada na mão).
As revistasWitch ainda estão aqui, ensacadas e guardadas com todo o carinho – você as amava e transferiu esse amor para mim. O mesmo não posso dizer dos brindes – alguns quebraram, outros se perderam.  Porém, a bolsinha verde (lembra em qual edição ela veio?) com as cartinhas de Saint Seiya continuam intactas, não se preocupe. E, obviamente, os cadernos com as suas historinhas. Tenho todos ainda. Só tenho uma coisa a reclamar: você poderia ter concluído aquela história dos alienígenas, né? Eu adorava – e posso dizer de peito aberto que era a minha favorita.
Sinto muito se não me tornei a estilista que você sonhou ou se não abri a sua confecção, ou mesmo se deixei sua paixão por desenhar morrer por algum tempo. Os planos mudaram no meio do caminho. Perder a vergonha de mostrar seus textos foi uma boa ideia, sabia? E se apaixonar por aquele mundo de blogs, de diários expostos na internet foi melhor ainda.
Queria poder te abraçar.
Com amor,
sua eu de vinte e um anos.

(obs – o quão chateada você ficaria comigo se eu admitisse que perdi aquela redação de quatro páginas que você escreveu?)

 

 

Esse post foi incentivado pelo Rotaroots. Os créditos da ideia vão para o Hypeness.

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No Comments

  • Reply Álison Freire março 22, 2014 at 10:48 am

    Lindo texto guria… E apesar de te conhecer muito pouco, tenho certeza de que a Kamile de dez anos atrás iria se orgulhar muito de você. 🙂
    tudo o que você fez, a mulher que se tornou, todas as conquistas e desafios vencidos.
    pode nao ter se tornado a estilista que ela sonhou (ainda.. o futuro à Deus pertence) e pode ter se esquecido dos desenhos (que você voltou a fazer).
    mas tenho certeza absoluta de que se tornou a escritora que ela adoraria se tornar. 😉
    beijos.

    • Reply Kamile Girão março 27, 2014 at 5:55 pm

      Obrigada pelas doces palavras, querido (e obrigada pela visita!) :’))

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