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[Filmes] “I know you I walked with you once upon a dream”

E eis que depois de muita espera, muita ansiedade gerada por trailers fenomenais, pôsteres e teasers capazes de te fazer desmaiar, Malévola estreou nessa última quinta feira, 29/05. Ao contrário da expectativa que o longa causou (mérito à Disney e a excepcional divulgação que foi feita. Sério, eu me arrepiava horrores com os vídeos lançados na página oficial do estúdio), saí do cinema com uma sensação de incompletude. Satisfeita sim, pois há vários pontos no longa que me agradaram bastante e gostei demais da forma como alguns fatos foram construídos e trabalhados, mas não é a primeira vez que vejo a uma mega produção do gênero e sinto que faltou algo para tornar o trabalho ainda melhor.

O filme, como já era de se esperar, aborda a história da vilã Malévola que, ao contrário do longa de 1959, nos é apresentada não como uma bruxa poderosa, mas sim como uma fada campestre de visual meio demoníaco. Conhecemos a protagonista na sua infância, logo nos primeiros minutos da produção, temos um rápido vislumbre da sua adolescência e a acompanhamos durante a sua vida adulta. É nesse ponto que acontece a grande virada, quando a fada dos bosques se transforma e assume um comportamento maligno e vingativo, originado por uma traição filhadaputa. A partir daí, a Malévola que surge nas telas se mistura com aquela que conhecemos durante a infância, pelo desenho animado. Sim, se mistura. É necessário ir ao cinema sabendo que, em momento algum, iremos nos deparar com a vilã idealizada por Walt Disney, cem por cento embevecida em maldade.
E é aí que as coisas ficam divertidas.
Ressalto em primeiro lugar que, tirando Tomb Raider e Garota Interrompida, não vi muitos trabalhos da Angelina Jolie. Porém, isso não implica que eu não esperava vê-la brilhando no papel. Logo nos primeiros minutos em que ela surge como Malévola, sobrevoando o reino das fadas com aquelas asas enormes, meu coração disparou – isso porque não falei sobre a clássica cena em que a vilã surge no batizado da princesa Aurora, mas acredito que essa dispensa comentários. Jolie encarnou a personagem com uma perfeição surreal. As expressões sarcásticas, os olhares, o tom de voz, o visual impecável (muitas palmas para o figurinista, por favor!), toda a composição foi excelente. Jolie brilha, prende a sua atenção, te faz admirar Malévola até nos seus momentos de pura insanidade e vilania. Não há como não ser cativado por ela, não dá para resistir. Você é subitamente encantado pela magia verde que irrompe do cajado, pelas nuances humanas que a personagem ganha com o correr dos minutos.

(Por favor, eu posso casar com essa mulher? <3)

O mesmo acontece com o cenário. Os efeitos especiais, como era de se esperar, são maravilhosos. O mundo das fadas explode em cores e sutilezas, em ondas delicadas e criaturas etéreas. Os guardiões da floresta são perfeitos, uma mistura ideal entre o macabro e o belo, entre a natureza e a sensação de medo. Mas, apesar dos efeitos encherem os olhos e encantarem, o 3D se mostra fraco e até mesmo dispensável. Não há muitas surpresas.
Porém (e esse é um grande porém),  filme não me preencheu. Faltou algo para deixá-lo redondo, detalhes que poderiam ter aumentado (e muito!) a sua nota para mim. A princesa Aurora (Elle Fanning) cumpre direito o seu propósito, como a princesa inocente bobabobaboba que ri até do vento. As fadas, por sua vez, não se mostram personagens importantes. Seus desenvolvimentos são fracos e suas cenas, cansativas. Não há nem mesmo uma construção da relação entre as pixies e Aurora – tudo o que sabemos é que o trio, em tese, cuidou da menina e acabou por aí. O príncipe Phillip é uma completa decepção e a luta de interesses entre Malévola e Rei Stefan poderia ter sido melhor aprofundada. As batalhas foram rápidas e escassas, assumo. Um pouco mais de luta e teríamos chegado num ponto muito satisfatório.
O que me fez gostar realmente de Malévola, além da excepcional Angelina e da trilha sonora, foi a relação entre a protagonista e a princesa amaldiçoada. É muito bom ver a Disney desconstruindo estereótipos, trabalhando os velhos contos com uma abordagem feminina que transcende o “somos donzelas indefesas à espera de um homem para nos ajudar”. As mulheres desses novos trabalhos mostram que podem sim caminhar com as próprias pernas e que não precisam ser inimigas. O amor romântico cai do seu posto soberano, já que as relações entre os personagens não se focam mais exclusivamente nisso. Mais um ponto para a Disney.
Concluo dizendo que sim, vocês precisam conferir Malévola no cinema. E que sim, eu quero ardentemente aquele funko pop só magia que está me esperando na Amazon.


E para encerrar…

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1 Comment

  • Reply Mih Oliveira junho 5, 2014 at 10:08 am

    Menina, amei Malévola, Angeline foi realmente impecável. E achei a Elle a cara da Aurora, muito parecida com os desenhos. <3
    Concordo com você que deveria ter mais lutas, mas o filme no geral é ótimo!

    Beijos ;*

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