Quadrinhos, Resenhas

[Quadrinhos] Pânico no José Walter – O maníaco que seviciava mulheres – Talles Rodrigues

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A primeira vez que escutei falar sobre Pânico no José Walter – O Maníaco que Seviciava Mulheres (Independente, 2014), foi através da Juliana Rabelo, minha amiga, que divulgou o projeto através do Facebook. Na época, o Talles estava arrecadando fundos pelo Catarse (uma plataforma de crowdfunding que merece ser conferida!) para a publicação e não pensei muito em ajudá-lo na sua empreitada, mas, por um distúrbio na força, não consegui pagar a tempo. Não participei da arrecadação, mas, para mim, era impossível deixar de conferir o trabalho de um quadrinista que aborda uma das lendas urbanas mais famosas da nossa terrinha.

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Explicando o contexto geral do trabalho e da história: para quem não sabe, Pânico no José Walter surgiu como o TCC do Talles Rodrigues, que estava se formando em jornalismo pela Universidade Federal do Ceará.  Logo, o quadrinho é uma forma de reportagem investigativa sobre um caso criminoso que deixou Fortaleza – principalmente o bairro José Walter – de cabelos em pé no final da década de 80. O maníaco em questão é o Cortabundas – um rapaz que entrava de madrugada na casa  de várias idades e cortava com navalha suas nádegas. A série de ataques durou por volta de dois anos e, até hoje, há controvérsias a respeito da autoria dos crimes. A história acabou se tornando uma lenda urbana do imaginário cearense, mas, segundo Talles, estava começando a cair no esquecimento coletivo.

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O livro é muito, muito bom. O desenho de Talles não é cheio de detalhes, mas é muito bonitinho. Lembra os traços de Bryan Lee O’Malley, autor de Scott Pilgrim, e os desenhos da Cartoon Network e, em alguns momentos, ganha traços típicos dos mangás – o próprio autor assumiu que é fã da cultura japonesa e que, quando adolescente, foi otaku.  É legal salientar que Talles se retrata nos quadrinhos, narrando suas andanças atrás de material para o TCC, e isso cria um elo de intimidade entre o leitor e o autor. Você ri do desespero do rapaz, da sua timidez na hora de entrar em contato com seus entrevistados, e acaba se sentindo vitorioso por ele ter alcançado os seus objetivos. Outra coisa muito bacana foi que o Talles manteve o nosso jeito “cearês” de falar. Eu não consegui reprimir o sorriso ao ver as personagens falando coloquialmente, e isso foi outro fato de aproximação entre público e criador.

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A respeito do Cortabundas, não posso falar muitas coisas, pois, senão, entrego pontas importantes. Apenas saliento que não conseguirei mais enxergar o José Walter da mesma forma – e, assumo, houve momentos em que fiquei bastante assustada lendo. Já imaginou ser vítima de um desconhecido que entra na sua casa para… cortar suas nádegas? E viver numa sensação de insegurança, de pânico e paranoia (não que hoje estejamos muito diferentes, mas…)?

Pânico no José Walter – O maníaco que seviciava mulheres é leitura indicadíssima – tanto para as pessoas da terrinha quanto para os de fora. Vocês não se arrependerão de ter esse material em mãos – vale muito a pena!
Muito orgulho de você, Talles! Parabéns pelo excelente trabalho!

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No Comments

  • Reply Beatriz Cavalcante junho 19, 2015 at 11:27 am

    Poxa, que legal! Não conhecia o livro mas achei super legal a história de como ele surgiu. Acho muito legal ver essas histórias de pessoas que fizeram projetos incríveis no TCC e ao invés de guardar numa gaveta usa ele mesmo depois da faculdade. Gostei também de ver que o livro é todo ilustrado. Livros ilustrados são amor, haha. <3

    Beijos!

    • Reply Kamile Girão junho 30, 2015 at 8:09 am

      Oi, Beatriz! Primeiramente, obrigada pela visita! :)
      Pânico no José Walter é muuuito bom, vai por mim. Algum de nós cearenses nem nos lembrávamos mais dessa lenda urbana (que tem um fundo histórico comprovado), mas o Thales resgatou com louvor. E ele é tão bem contextualizado que, mesmo se você não morar no Ceará, consegue se inteirar na história. Espero que você consiga lê-lo algum dia <3
      Abraços!

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