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[Resenha] Love You, Hate You, Miss You – Elizabeth Scott

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Mais um livro que estava na minha estante há muito tempo, mas que só agora consegui ler. Inclusive, Love You, Hate You, Miss You já foi lançado em solo brasileiro há alguns anos, pela finada Editora Underworld. Garimpando, ainda dá para encontrar a edição tupiniquim.


Amy acabou de perder sua melhor amiga, Julia, de uma forma traumática. Além de se culpar pela morte da menina, precisa lidar com seus problemas com álcool; com os pais que, de repente, começaram a notá-la; e, principalmente, com a solidão e com sua readaptação ao mundo. Nesse processo, Amy acata a sugestão da sua psiquiatra e começa a escrever seus sentimentos – porém, como cartas destinadas para Julia.

So now I’m here, at school, hiding out in the teachers’ bathroom, and I don’t know what to do. I can’t leave, Julia. I’m just stuck here freaking out. If I close my eyes, will you come to me? You don’t have to make everything all right. You don’t have to do anything. I just want you here. Just for a second.

Basicamente, o livro é sobre o difícil e árduo processo do luto. Se perder alguém já é  difícil, perder sua melhor e única amiga na adolescência, época em que os sentimentos estão mais aflorados do que o normal, é o fim do mundo. E Elizabeth Scott mostra com maestria todos os sentimentos de Amy, tornando crível aquele emaranhado de emoções. A dor de Amy é pungente, a saudade que ela sente de Julia dói. Ainda assim, não é fácil se colocar no lugar da protagonista para entender o que a morte da amiga significa para ela. A dor é grande demais para que a entendamos a ponto de senti-la por inteiro.
Amy, que já é uma garota bastante fechada, consegue se trancar ainda mais após a perda de Julia, se privando de tentar seguir em frente e ultrapassar os estágios do luto. Os pais tentam ajudá-la de alguma forma, mas a mágoa que tem por conta da falta de atenção deles a faz rejeitar essas investidas – talvez esse tenha sido o ponto que mais me deixou desconfortável com a personagem. Ela não encara bem a terapia e cria uma relação de amor e ódio com sua psiquiatra, porque, ao passo que a incomoda as perguntas e as análises, Amy reconhece que pode encontrar uma ajuda ali. Fazer novos amigos, então, é algo completamente impensável para ela. Ninguém pode substituir Julia, e Amy encara todos esses fatos como uma punição pela morte da amiga.
Talvez por essas Amy não tenha me cativado. É possível compreender a sua cabeça e entender que ela está atravessando as fases do luto, porém criar empatia não é algo fácil. Como qualquer adolescente, Amy se deixa influenciar pelas suas companhias. Julia é quase um bote salva-vidas para ela, que cresceu à margem das então “amigas” de infância, sem a atenção e o carinho dos pais e com a autoestima baixa. É nessa amizade que Amy consegue se sentir mais segura, ainda que seja sempre influenciada pelas opiniões e atos (nem sempre corretos) de Julia. Perder a garota, portanto, é um baque que ultrapassa os limites da saudade e da tristeza: significa perder a única segurança que se tem de si mesma.
O crescimento da personagem é demorado e, constantemente, ela dá passos para trás. Isso também me incomodou, mesmo sendo algo coerente com a história. A gente torce para que Amy consiga ultrapassar essas barreiras, mas ela, de uma forma ou de outra, retrocede.

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Sobre a minha edição, confesso que ela é bastante ruim. Ainda que a diagramação seja ótima, com um bom enquadramento e letras em um bom tamanho, a qualidade do livro é péssima. A capa dele se esgarça e perde a cor facilmente (na minha capa, há vários pontinhos brancos). As folhas lembram jornal, mesmo com uma gramatura maior, e a encadernação como um todo é muito maleável. Cheguei até a pensar se não seria melhor se eu tivesse comprado o e-book ao invés do livro físico.
Por fim, o que mais me deixou animada com Love You, Hate You, Miss You é o fato de que esse foi meu segundo livro lido em inglês! Fazia algum tempo que eu não pegava nada no idioma, e essa experiência conseguiu tirar um pouco das minhas ferrugens. Obviamente, existiam várias palavras que eu desconhecia, mas captar o contexto geral foi mais importante do que ter um grande domínio de vocabulário. A linguagem do livro é leve e de fácil entendimento, portanto recomendo a todos que também queiram dar seus primeiros passos na leitura de língua estrangeira :)
Indico a todos a leitura desse romance de Elizabeth Scott, não apenas por ele ser da Elizabeth Scott (que é uma escritora sensacional), mas porque precisamos de livros do gênero. O luto é um processo pelo qual, em alguma instância, todos iremos passar. Saber que ele pode ser superado, porém, é essencial. Faz parte da vida.

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2 Comments

  • Reply Tázio Silvestre agosto 31, 2016 at 7:50 pm

    Estou com esse livro em casa há anos e nunca parei para lê-lo. Mas confesso: vou pegar para folhear assim que chegar em casa 😀
    Ótima resenha, a propósito <3

    • Reply Kamile novembro 15, 2016 at 2:50 am

      Não faça isso! Ele é ótimo! =)
      Muito obrigada, querido, pela visita!

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