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[diário] talvez eu não ame mais escrever

a última vez que escrevi foi em meados de outubro de 2016, uma fanfic de Mystic Messenger (se não souber o que é, clica aqui). desde então, quase todas as tentativas são frustradas. quase, porque consegui ter um surto de criatividade em setembro do ano passado que gerou umas 3 mil palavras – e que, como qualquer surto, passou bem rápido. dei muito murro em ponta de faca de lá para cá. não foi por má vontade, juro. tentei mesmo escrever quando não tinha vontade, e a coisa não apenas não fluiu como me pareceu um tipo de tortura. me fazia mal estar de frente para o word e me fazia mal estar longe dele. me fazia mal, ponto.
tinha algo muito errado. conversei com muitas pessoas porque não entendia o que estava acontecendo. escrever era a minha vida desde que eu me entendia por gente e, de repente, era nocivo. sentar e me dedicar somente a isso me dava uma sensação de que eu não estava me respeitando, mas nem eu mesma conseguia compreender o que sentia. o máximo que eu fazia com algum sucesso era escrever meus pensamentos no diário para levar para a terapia, e ainda assim não era algo costumeiro. e como disse lá em cima, dei muito murro em ponta de faca. me matriculei em curso de escrita criativa, comprei livros sobre o assunto, conversei com deus e o mundo, mas nada conseguiu resolver. pelo contrário, me afundou ainda mais. não adiantou explicar sobre o esgotamento emocional que tive em 2016, com uma versão um pouco mais assustadora e rápida em 2017, ou sobre como todo o meu planejamento para o ano saiu incrivelmente errado e fiquei meio perdida. de alguma forma, a culpa era minha. de alguma maneira, se eu não corresse para ser produtiva e lançar algo novo no mercado, ficaria no limbo.
e aí, meio que resolvi não fazer mais nada. porque depois de tanta pancada e de um punho todo sangrento, a melhor coisa que posso fazer por mim agora é o tempo ao tempo. se insistir em escrita não funciona, não vou mais me forçar. se mexer com literatura não tá sendo gostoso como era antes, não vou mais mexer. talvez haja outras prioridades na frente. talvez me consolidar como escritora não seja mesmo o meu objetivo agora, talvez nem seja algum dia. talvez eu possa me dedicar a outras coisas, como voltar a estudar desenho. talvez seja até mesmo hora para me dedicar à faculdade e sair de lá o mais rápido o possível. ou de cuidar do meu corpo, que passou tanto tempo relegado aos piores patamares do nível de prioridades da minha vida. ou procurar novas possibilidades de empregos, fazer alguns cursos que são sonhos antigos, descobrir novos locais para comer. não sei, tem muita coisa para fazer.
preciso admitir para mim mesma que falhei com aquilo que desejava – ainda que algumas coisas tenham dado certo, o meu objetivo mesmo não funcionou. e não tem problema em ter falhado, em ter me atropelado, parte mais difícil de aceitar e compreender. tá tudo certo, tenho uma vida inteira. se a paixão pela escrita for verdadeira e não apenas algo que era da minha infância/adolescência, uma hora ela volta. é possível até mesmo que eu tenha mais história para contar. quem sabe.

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