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[diário] quando me identifiquei com o professor

da época em que eu assistia Naruto para cá, somam (quase) treze anos. fazia um considerável tempo que eu não via nenhum shounen de lutinha nos mesmos esquemas do rapazinho que guardava a Kyuubi dentro de si. pois muito bem, aproveitei que estava voltando a assistir animes e resolvi no mês de janeiro dar uma chance ao amado Boku no Hero Academia, do qual já havia ouvido muito a respeito, mas não sabia praticamente nada.

(se há alguma coisa mais preciosa no mundo dos animes do que essa cena, desconfio)

eu realmente não esperava que fosse me apaixonar tanto por Boku no Hero, ao ponto de passar três horas pregada na frente da TV, vendo um episódio atrás do outro. eu não faço essas coisas nem com seriados dos quais gosto muito (na verdade, sou até bem preguiçosa para assistir produções no geral). o anime tem tudo aquilo que a jovem Kami apreciava num bom shounen, com o a diferença de que Deku foi um dos únicos protagonistas do gênero que me cativou de fato. mas essa não é a questão do texto, embora eu pudesse passar horas da minha vida apenas falando sobre como eu amei/amo o universo do Midoriya shounen.

como falei, há um espaço de tempo considerável que me separa da época em que eu consumia animes shounens, e minha última experiência foi Naruto. mas, foi assistindo a Boku no Hero que percebi o punhado de anos que me distanciam daquela Kamile que sentiu vontade de fazer cosplay da TenTen. se eu conseguia me identificar com uma personagem a esse nível na época em que os ninjas da Vila da Folha faziam (mais) sucesso, foi diferente aqui. eu não me vi em qualquer personagem que ainda fosse um estudante do Colégio UA. os sentimentos que eles floresceram em mim foram outros, algo muito mais relacionado a cuidar, valorizar e vibrar com cada pequena vitória e avanço (no caso do Bakugo, foi de dar um peteleco na orelha mesmo). por outro lado, os professores da instituição já ganharam mais a minha atenção. em especial o Aizawa, também conhecido pelo codenome Eraser Head.

(Obviamente, a millennial vai se identificar com o personagem que anda pra cima e pra baixo com o saco de dormir).

não foi apenas por ser um ótimo personagem que Aizawa-sensei me ganhou, ou mesmo pela sua individualidade, que é uma grande coringa. lendo o mangá, entendi o que tanto me aproximou do professor mais severo da UA. Aizawa começa a história com trinta anos, e estou mais perto de alcançá-lo do que próxima da idade que Midoriya tinha ao entrar na academia. perceber um detalhe tão pequeno (e até mesmo bobo) quanto esse, relacionado a afeição e identificação por personagens, chegou como um baque. apesar de um pouco mais de uma década, eu ainda me lembro bem das tardes em que assistia Naruto, da pintura meio dourada do DVD que meu amigo havia gravado caseiramente e me emprestado. já não falo mais com esse rapaz há alguns anos, mas a memória ainda permanece viva. das tardes de dezembro, do desodorante da Natura que eu usava na época, das músicas que eu mais escutava, do sol entrado pela janela do meu quarto. não parece que foi há tanto tempo.

ainda em janeiro, dei mais um passo para alcançar a idade de Aizawa. mais uma volta na terra, e os primeiros sinais de que estou aqui há algum tempo já começam a aparecer. nessa semana, foram dois fios de cabelo branco encontrados. as olheiras de preocupação estão um pouco mais evidentes, e já percebo uma ou outra linha de expressão. minha imagem no espelho não condiz com as leves edições que o aplicativo coreano faz nas minhas fotos. meu corpo já não digere bem certos tipos de comida ingeridas à noite. me distancio cada vez mais da menina de treze/catorze que fez seu primeiro cosplay de uma personagem de idade similar. por outro lado, me aproximo do professor rabugento, que já enfrentou desafio demais e engrossou a casca, que pune seus alunos quando os vê sendo levados pela impulsividade da adolescência e que celebra suas vitórias. que dorme em qualquer canto, dentro de um saco de dormir, mas que sempre está a postos quando a coisa aperta. houve um tempo em que me parecia muito distante, quase impossível, me identificar tanto com o sensei de alguma história. não mais. inclusive, Kakashi começa Naruto aos 27, e hoje tenho 26.

talvez eu pareça um pouco exagerada em relatar as pequenas mudanças que estão surgindo em mim, porém não dá para ignorar os sinais de que o tempo corre. em breve, ultrapassarei Aizawa e estarei mais perto de sentir o cansaço do All Might. e ficarei cada vez mais distante do imprudente Midoriya, da tímida Ochaco ou do impulsivo Bakugo. minha grande questão é o que vou fazer nos próximos dias, nas próximas semanas. se ficarei menos no celular e com a cara mais enfiada nos livros, ou se simplesmente irei à varanda para ver os diferentes tons de rosa que o pôr do sol me proporciona. lembrar que o calendário avança é um bom exercício para transformar planos em algo físico. ainda há as metas de 2015 que não foram realizadas e o sonho de 2012 que está um pouco mais perto do que antes. não preciso correr, mas preciso ter a ciência de que os dias estão passando.

em pouco tempo, sem que eu perceba novamente, alcançarei também a Recovery Girl – talvez, com a mesma sensação de que não existem muitos anos me separando da pessoa que hoje escreve este post.

(a rainha da p*rr* toda)
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