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Kamile Girão

Livros

[Livros] Top 5 paixões literárias

Oi, estou aqui a pedidos da moça Kami para falar sobre livros, seriados e algumas coisinhas mais que tiverem importância. Como sou nova nesse ramo de blogs (tive um de moda uma vez, mas não conta muito), por favor sejam gentis comigo e guardem as pedras para o final. – Q?
De cara já me foi lançado o desafio: escolher 10 paixões literárias, ou seja, os personagens por quem eu mais suspirei lendo livros. Embora eu tenha sido considerada rata de biblioteca, não sou muito de me apaixonar, como diria meu namorado, sou dura na queda ou chata mesmo. Até poque, normalmente, eu me apaixono pelo casal junto, do tipo que torce e tem vontade de entrar no livro pra ajudar dar certo *guilty face*. Então fiz reduzi a lista para 5 e coloquei em ordem aleatória (leia-se, a ordem que eu lembrei).

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Diario, Festas de fim de ano, Literatura, Livros, Novidades, Os Olhos de Ravena, Outubro, Yume

[Livros] Vai ter Outubro, sim! – Um balanço sobre 2014 e planos para 2015.

 

Não é de se admirar que 2014 tenha sido um ano turbulento para mim. Quem me acompanha no Facebook possivelmente viu meus surtos e minhas preces para que os ambos os semestres acabassem – afinal, retornei às Letras nessa segunda metade de 2014 e estava cursando as duas faculdades simultaneamente. Minha vida inteira se voltou para as minhas obrigações acadêmicas: trabalhos, seminários, provas… E não, não consegui conciliar blog, vida literária e vida estudantil. De uma forma ou de outra, eu sempre opto pela faculdade. Meus estudos sempre virão em primeiro lugar.
Mas não, não estou escrevendo esse post para falar sobre todas as noites que madruguei minha vida estudantil, e sim sobre um panorama do que foi 2014 e do que será 2015. Fazendo um balanço geral, não consegui atingir todas as minhas metas literárias nesse ano. Pretendia relançar Yume – não rolou. Pretendia fazer a segunda edição de Outubro pela Create Space – não deu certo, já que não consegui me entender com o sistema e ele sairia mais caro para mim. Minha maior vitória (e objetivo alcançado!) foi ter concluído Os Olhos de Ravena – que, no atual momento, está aguardando pacientemente sua vez de ser revisado. Fora isso, 2014 foi um ano sem muitas novidades literárias. Mas, pela forma como as coisas estão caminhando, 2015 será diferente. Bem diferente.
Para começo de história: Outubro vai ser relançado, sim! Em março de 2015, iniciarei as vendas do livro aqui no blog e, possivelmente, ele só poderá ser comprado diretamente comigo e por aqui (postarei mais informações em fevereiro, fiquem tranquilos). A capa nova e a diagramação (que se mantém a mesma da edição anterior) ficaram a cargo da Marina Avila. A laminação do livro será fosca e ele irá sem orelhas, no tamanho 16×23! A primeira tiragem será pequena, de apenas cinquenta livros, então fiquem atentos para não perderem o seu exemplar! :)
Sobre Yume, o futuro do livro ainda está sendo traçado. Acredito que vocês tenham percebido que ele está fora da Amazon há alguns meses, mas acreditem: não foi sem razão. Yume ainda será lançado pela Wish, mesmo que, no momento, não possamos prever uma data. Temos muitos planos bacanas, porém estamos nos organizando com calma para tornar cada uma dessas ideias em material palpável! Não percam os próximos episódios!
Sobre Os Olhos de Ravena, estarei o revisando durante 2015 (se der certo, ainda nessas férias)! Minha pretensão é ter o livro pronto até metade do ano, mas não posso dizer mais nada além disso. Meu objetivo, como deu para perceber, é trazer meus dois primeiros trabalhos para o mercado mais uma vez. Peço calma, apenas, que um dia esse livro sai <3
E no mais, preparem-se, porque eu e a Juliana Rabelo tentaremos conquistar o mundo também em 2015!  Ainda nessa semana, iremos nos reunir para matar a saudade e comer pão de queijo <3 decidir alguns projetos que deverão vir à tona ainda em janeiro. Tem muita coisa boa, galera!

(é assim que os pedidos de casamento acontecem…)

É basicamente isso que eu gostaria de passar a vocês. Estou trabalhando para tornar real cada uma dessas metas. Vamos torcer para que tudo dê certo! :)

Livros, Os Olhos de Ravena

[Livros] Sobre terminar um livro e agradecer eternamente

 

(Ravena, por Juliana Rabelo)

Há pouco mais de um ano, escrevi aqui no blog sobre o meu novo projeto, Os Olhos de Ravena (clique aqui para ler). Hoje, escrevo novamente para anunciar o término do livro, depois de dois anos de muita luta.
Quando paro para pensar em como a história da Ravena (Vena ou Ravs para os íntimos) surgiu, vem uma série de memórias significativas e especiais, ainda que algumas sejam bem dolorosas. 2012 foi um ano muito difícil para mim e isso não é segredo. Foi nessa conturbação de fatos e mudanças que a Ravena apareceu, pronta como se já tivesse nascido daquela maneira. Comecei a escrever em setembro daquele ano, pleiteando um edital de publicação (que não venci, como se pode perceber) e, desde então, venho produzindo o livro. Não foi fácil. Aquela era uma época complicada, que me tornou uma pessoa desacreditada e sem muitas expectativas. E, tal qual minha vida estava naquele período, a história da Ravena se solidificou de forma difícil e árdua – tanto pelo tema complexo de ser trabalhado quanto pelas próprias transformações que eu passava e que me desnorteavam.
Ao escrever o último ponto do livro, sinto como se eu tivesse, também, me despedindo de um período difícil, mas que foi brilhantemente superado. Muito do que eu sentia e vivia foi absorvido pela Ravena. Ela foi minha companheira de dores e angústias; foi amiga, confidente, parceira. Dizer adeus a dela é difícil, mas me sinto feliz por termos concluído bem essa etapa e pelo livro ter alcançado o seu objetivo. Lavei a minha alma em pouco mais de duzentas páginas, e escrevi uma história que, possivelmente, será a mais especial – e significativa – para mim.
Mas se eu consegui tudo isso, não foi sem ajuda. Tenho uma lista de nomes de pessoas queridas que foram essenciais para a produção de Os Olhos de Ravena. Cito aqui, logo de início, o Prof. Paulo Cândido (que me orientou em vários aspectos do desenvolvimento da doença da Ravena); Dras. Ingrid Tavares e Idalina Costa (que me explicaram em termos médicos o que era, afinal, retinose pigmentar), e os membros do Instituto dos Cegos, que me ofereceram ajuda desmedida. Agradeço, também, à Janaína Dantas e aos grupos no facebook Retinose Pigmentar e Amigos Portadores de Retinose Pigmentar, que muito me esclareceram sobre o dia a dia de pessoas que convivem com a doença.
E nada teria dado certo se não fosse o apoio e o incentivo dos meus amigos em geral. Meu “muito obrigada” vai para Diego Pereira, Karol Frota, Karol Rodrigues, Isabel Costa, Kamila Benevides, Letícia Braz, Bruna Vasconcelos, Amanda Sombra, Bianca Carvalho, Luciane Rangel, Priscila Pontes, Ariane Muniz, Bruno Souza, Rodrigo Mesquita, Juliana Rabelo, Monisa Miranda, Otania Freire. Não existem palavras para agradecer por todas as vezes que vocês toparam ler trechos, me ajudaram com cenas e me aguentaram me lamuriando ou narrando o que eu pensava em fazer com o livro. A gratidão é imensa e eterna.
Não posso dizer qual rumo o livro terá agora. Possivelmente, me darei seis meses (ou mais) para revisá-lo e lapidá-lo antes de submetê-lo a possíveis análises.  Adianto, porém, que estou preparando surpresas (e se Deus permitir, vai dar certo). E, mais do que qualquer coisa, só gostaria de compartilhar com vocês a alegria de concluir um projeto tão significativo e especial.
Encerro aqui colocando a playlist do livro. Espero que todos curtam!
Com todo o amor do mundo de uma escritora realmente emocionada

Os Olhos de Ravena from kamile.girao on 8tracks Radio.

Animes

[Anime] Sailor Moon Crystal ou porque me sinto com oito anos novamente

Assumo que este post está chegando com certo atraso. Era para ele ter sido escrito antes, mas minhas condições pós-operatórias não me permitiram parar para sentar e escrever a respeito (acredito que vocês perceberam que estive meio sumida durante julho, não é?)
Mas como nunca se há tempo perdido para o amor (oi?), vamos lá!
Sailor Moon Crystal,  o anime que estão lançando em comemoração aos 20 e poucos anos da série, estreou no Japão no dia 05/07 depois de muita ansiedade e muito furor entre os fãs. Com 26 episódios agendados para ir às telinhas todos os primeiros e terceiros sábados do mês, somos brindados com a nova roupagem que as aventuras de Usagi e companhia receberam. Não estou acompanhado avidamente todas as novidades acerca da nova série, mas posso dar um parecer de como recebi a iniciativa a partir do primeiro episódio.

(muito amor ou não? ♥)

O que posso dizer, a despeito da opinião que li de muitas pessoas, é que fiquei bastante satisfeita com o resultado do anime. A intenção da nova série, conforme os produtores afirmaram, é ser mais parecida com o mangá e, pelo pouco que vi, asseguro que estão conseguindo. Muitas cenas estão praticamente transcritas para a animação (como a cena da Usagi encontrando o Mamoru pela primeira vez, que acontecia de uma forma diferente na versão anterior), o que é um brinde para os fãs que acompanharam as histórias das revistas. E para mim, há uma fidelidade maior aos traços do mangá nesta nova adaptação, bem mais que no anime anterior (embora ele nunca saia dos nossos corações e nunca deixe de ser especial, preciso admitir isso). As proporções (insira aqui o corpo esguio das guerreiras, com os metros de perna que a tia Naoko tanto ama, os olhos grandes e detalhados, os cabelos esvoaçantes da Usagi…) estão bastante fidedignas, os vilões estão mais assustadores ao nível que Sailor Moon consegue deixar (para quem lê o mangá, sabe que as criaturas servas dos generais da Rainha Beryl não são tão absurdamente ridículas quanto aquelas que surgiram no anime de 1992), as roupas das guerreiras finalmente ganharam aquele pequeno detalhe que as diferencia (como o cinto da Sailor Venus e o uniforme sem manguinhas da Sailor Mercury)… E, gente! Eles atualizaram o anime! Agora podemos ver celular e outros apetrechos eletrônicos típicos da nossa época, aproximando-nos ainda mais de Sailor Moon. Posso resumir que fiquei (e estou!) bastante animada com o que vem por aí.
Mas nem tudo são apenas flores. Apesar de ter gostado muito do redesign das senshis,  assumo que não curti muito a maquiagem que colocaram no rosto das garotas, embora seja algo muito leve. Talvez seja costume com o anime velho, ou mesmo porque não consigo ver as garotas de uma forma tão arrumadinha. Para mim, as meninas de Sailor Moon estão entrando na adolescência, descobrindo os prazeres e os dessabores da idade, e passam por aquele período em que, ora você se sente o patinho feio, ora se sente a miss universo porque o garoto fofo da lanhouse te olhou diferente e foi simpático com você (o que pode não significar muita coisa, mas um sorriso já causa um furor diferente!) E, por mais que a abertura esteja uma gracinha, Moonlight Densetsu é muito a cara da série para ter sido posta de lado. Acho que os produtores poderiam ter feito algo como o que foi realizado em Saint Seiya Omega: regravar a música com uma nova versão.
No mais, vi que muitos fãs não gostaram da iniciativa ou, se curtiram, ficaram insatisfeitos com o resultado (como o redesign dos personagens). Repito aqui o que falei em um comentário no Facebook: em hipótese alguma, a animação ficaria cem por cento fiel ao traço do mangá, cheio de detalhes e lindezas. Os produtores fizeram o que estava ao seu alcance para adaptar tudo com a maior fidelidade possível e, apesar de um detalhe aqui ou acolá, achei o resultado promissor e bom. Estou muito animada para os próximos episódios (e em cólicas para ver minha guerreira favorita, Sailor Jupiter, em ação!).
E aí, o que vocês acharam? Não se esqueçam de contar para a gente!
Até a próxima! Em nome do amor e da justiça!

Aquisições, Wishlist

[Wishlist] Segundo semestre, aqui vamos nós!

O segundo semestre do ano está começando e, com ele, minha lista de desejos atuais também! Claro que nem sei se conseguirei adquirir todos os itens, mas não custa sonhar um pouco, né? Ou mesmo criar a lista apenas para manter o foco!

 

1- Câmera Lomo Diana F+ Love Letters
Descobri as Lomo muito por acaso e foi amor à primeira vista. Como eu adoro uma coisa vintage, máquinas analógicas costumam fazer meu coração palpitar. A escolha da Diana se deu por eu ter visto fotos com ela feitas por um amigo e ter me apaixonado pelos efeitos oníricos das fotografias. Afinal, encher um álbum com imagens assim é um sonho, não?
2 – Maquiagem da E.L.F inspirada na Ariel
Se tem uma coisa que sou louca para aprender é a me maquiar. Até comecei a comprar uns itens aqui e acolá. Acho lindo quem sabe fazer aquela maquiagem do babado e sai de casa deslumbrante. E nessa de ficar, de pouquinho em pouquinho, aumentando minha lista de cosméticos, eis que me deparo com essa coisa fofa lançada pela E.L.F. Sofrendo desde já e contando as moedinhas para trazer a paleta de sombras, os pincéis e a necessaire! <3
3 – Ícones dos Quadrinhos – Ivan Freitas da Costa

Descobri esse livro enquanto passeava pelo Catarse. Ele já havia sido financiado quando o descobri e não demorou muito para entrar da minha lista do “preciso”. O livro reúne ilustrações de vários desenhistas brasileiros, numa homenagem a personagens marcantes das HQs!
4 – Quadros da Juliana Rabelo
Por motivos de: é minha amiga, se garante e eu amaria ter um quadro dela aqui no quarto! <3
5 – Estante em formato de colmeia
Não é de hoje que eu não tenho mais espaço para colocar meus livros e minhas bonecas. Teve um tempo em que precisei acumular meus livros no chão porque o espaço destinado a eles estava lotado. Estantes em formato de colmeia são as que mais me atraem, mas minha intenção não é comprar ou mandar fazer uma agora. Como tenho um guarda roupa inutilizado, surgiu a ideia de aproveitá-lo para a montagem da estante. Já comecei a desenhar! <3
6 – Mangás da New Pop
Nesse semestre, a New Pop está me deixando maluca com todos os seus lançamentos! Tem Loveless, Azumanga Daioh!, Usagi Drops (MEU CORAÇÃO </3), a adaptação para mangá de Helena… Fora que eles lançaram há um tempinho Zucker, outro trabalho que estou super desejando. Acrescento mais motivos?
7 – Roombox da Minimagia
Faz um bom tempo que conheço o trabalho do Seu Milton. Muitas colecionadoras do Flickr possuem dioramas feitos por ele e compõe fotografias com suas bonequinhas que são de tirar o fôlego. Eu sempre quis um roombox para minha coleção de bonecas, e até mesmo tentei fazer um, mas minhas habilidades manuais nem mesmo se equiparam com as do Seu Milton! Quem sabe essa não seja uma boa oportunidade para eu finalmente construir a “Pensão da Mamãe Patinha”?
(quem me segue no Flickr vai entender do que estou falando…)
8 – O Maravilhoso Mágico de Oz (Marvel)
Estávamos eu e Diego na área de quadrinhos na Saraiva e ele puxou essa HQ. Foi amor instantâneo. O traço dessa graphic novel  é uma das coisas mais delicadas e fofas que vi nos últimos tempos (consigo até mesmo compará-lo ao trabalho dos irmãos Cafaggi). Estou apenas me organizando para essa belezura vir parar na minha estante.
9 – Funko Pop de Frozen:
Conheci os bonecos da Funko nesse ano, depois de ter presenteado o meu namorado com um modelo do Batman. Eles são uma gracinha, e passei algum tempo escolhendo qual seria o meu primeiro Funko (tarefa bem difícil, devo assumir). Resolvi que iria esperar sair os modelos de Frozen, porque era muito óbvio que a empresa investiria na nova franquia da Disney e, como previ, eles investiram <3 Já adquiri a minha Elsa em pre-order! Só me falta completar a coleção!

E vocês? Estão alimentando algum desejo para esse semestre? Falar pra gente! ♥

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[Literatura] Não gosto do que você lê, mas apoio o seu direito de ler o que quiser

Uma das primeiras coisas com a qual me deparei quando comecei minha graduação em Letras e tive contato com as disciplinas de literatura foi o preconceito literário. Não é segredo que a academia alimenta seus preconceitos (não é algo generalizado, mas é bem recorrente). Já ouvi os próprios universitários abrirem a boca para dizer coisas do tipo: “clássicos são melhores. Não fazem mais literatura que preste”. O fato é que toda essa discussão (sempre muito polêmica) gerava debates interessantes em sala de aula. Conversávamos e discutíamos muito a respeito, e isso nos ajudava a expandir nossa visão sobre escrita e mercado (pelo menos, para quem mantinha a cabeça aberta, ajudava bastante).
Vocês se perguntam: ok, Kami, mas onde você quer chegar com isso?
Então, a reflexão surgiu hoje pela manhã, depois de eu ter visto o trailer de Cinquenta Tons de Cinza. Não posso falar muito do livro, pois não o li, mas achei o trailer interessante e muito bem feito (palmas para a versão lenta de Crazy in Love, muitas palmas). Mas sabe aquela regra sagrada da internet que diz: “não leia os comentários”? Pois é, eu não obedeci.
Alguns comentários eram do tipo que diziam que o trailer era fraco, não instigava, que os atores não pareciam bons… Até aí tudo bem, cada um tem sua opinião e sua criticidade. Mas aí, eis que me deparo com uma pessoa chamando o filme de “bomba” e fazendo o seguinte comentário (que não foi transcrito com fidelidade para preservar também a pessoa):  Não vou falar do público consumidor para evitar a fadiga.
Opa! Pera lá. Chegamos agora a uma questão muito interessante.


Não, eu não li Cinquenta Tons de Cinza, apesar de ter muita vontade de ler. Sim, também já escutei pessoas me recriminarem por eu falar abertamente que queria conhecer o livro para fazer meu próprio julgamento sobre a obra. Mas você vai ler um livro ruim desses?” Ora, cara pálida, como vou saber se o livro é ruim se eu não li?
Ah, mas é o que as pessoas dizem!, poderão dizer.
O que as pessoas dizem pode ser o que eu não penso. E se eu ler e achar a coisa bacana? Se achar o enredo interessante ou mesmo se gostar da escrita da E. L. James? Eu também serei julgada por isso? E, no fim das contas, qual o problema de eu gostar de um livro sobre BSDM que faz parte da modinha?
Aí a gente volta para o assunto lá de cima, que comecei introduzindo o post. Você pode até não gostar daquele estilo de livro, mas quem é você para julgá-lo sem nem ao menos ter se proposto a conhecê-lo? E, caso já tenha conhecido e, ainda assim, desaprovado o trabalho, quem é você para julgar quem lê e quem gosta? As livrarias estão sempre abarrotadas de livros de vários estilos exatamente para agradar todos os gostos e idades. Todo mundo tem direito de ter suas próprias preferências e escolhas, e não nos cabe rotular ou apontar o dedo e dizer: “isso não presta”. Deixe a pessoa conhecer, descobrir o que lhe agrada ou desagrada. Deixe-a ter suas próprias experiências e vivência com as obras que instigarem a sua curiosidade.


Não sou santa, assumo. Tenho meus próprios preconceitos, meus defeitos. Cometo erros. Já denegri, por exemplo, Crepúsculo em sala de aula e me arrependo amargamente por isso (exatamente porque ignorei que havia alunos ali que gostavam da série e que desenvolveram o gosto pela leitura e pela escrita a partir disso). Mas se há algo que eu tento arduamente é me livrar dessas ressalvas literárias para conhecer o que me é apresentado e respeitar a preferência e o gosto do outro. Nem sempre consigo, porém eu tento. Como falei, não sou ninguém para dizer o que é e o que não é bom para o outro, só posso falar por mim mesma e pelas minhas próprias impressões. Ainda bem! Já pensou se fosse todo mundo igual? Não teríamos diversidade literária. Não teríamos gêneros, nem mesmo estilos. Receberíamos todos um mesmo tipo de livro, com um mesmo formato e uma mesma escrita. Não me parece um panorama muito interessante, não é?

Escutando: Just One of the Guys – Jenny Lewis

Um adendo: nessa semana, o blog Nem um Pouco Épico fez um post sobre preconceito literário e uma série de outras publicações abordando preconceitos com vários estilos. Está muito legal e vocês devem ler. Mesmo.

Cotidiano, Crônicas, Diario

[Diário] Multifacetada

Não lembro em qual momento da minha vida declarei para a minha mãe que eu gostaria de ter uma dupla formação acadêmica. Também não lembro em qual instante desisti dessa ideia porque ela parecia completamente inviável (se não me engano, foi no terceiro ano do ensino médio. Já perceberam que esse período foi um mar revolto para mim, não?) Minha mãe me apoiava, porém. Ela enchia o peito de orgulho quando eu mostrava a infinidade de assuntos pelos quais me interessava. Eu gostava de moda, de design, de história, de línguas e literaturas. Era uma adolescente que se identificava com várias áreas que, por uma graça quase divina, conseguiam se interligar.
Estou no início da minha vida adulta e percebo que nada, absolutamente nada, mudou.
Passei dois anos cursando Letras Português com aquela sensação de vazio. Eu me sentia infeliz, embora adorasse acordar cedo para ir numa aula de Teoria da Literatura, Literatura Portuguesa ou Literatura Brasileira. Sempre gostei de estar cercada de livros e xérox (embora, assumo, eu sempre me desesperasse com a quantidade infinita de coisas para ler), mas não era o suficiente. Eu conversava com outras pessoas, via a felicidade e a realização delas em seus caminhos e pensava: “o que está faltando para mim?”, “por que não sou feliz assim, mesmo em um lugar com o qual me identifico?”. Passei por um momento de crise existencial, daqueles tipos que costumam assolar jovens que dão os primeiros passos no mundo nada glamoroso dos adultos. Assumi várias responsabilidades muito cedo e me bateu um desespero: “como vou dar conta de tanta coisa estando tão vazia e tão sem perspectivas?”
Hoje entendo o meu problema – ou solução. Sou multifacetada.
Entrar no design foi uma realização sem medidas para mim. Assumir minha dupla paixão por linguagem verbal e visual retirou um peso de uma tonelada das minhas costas. Percebi que não nasci para ser designada a uma função apenas, que gosto (e tenho orgulho) de fazer de tudo um pouco. Me realizo escrevendo, lendo, revisando, assim como trabalhando no Photoshop, no Illustrator, no Indesign. Amo livros, amo projetos gráficos, editoração, websites, literatura. Às vezes é complicado assumir tantas responsabilidades, casar áreas que, a uma primeira olhada, parecem divergentes, mas jamais senti uma felicidade tão completa. E esse sentimento de completude cresce quando encontro relatos de pessoas que tomaram decisões similares e não se definiram em apenas uma função (quer exemplo maior que os renascentistas, que tinham habilidades em várias áreas?)
Não tenho problemas em assumir que não sou unicamente escritora, estudante, aprendiz de designer ou dona de casa que dá os primeiros passos. Não pretendo, também, me prender apenas a uma área ao longo da minha vida. Sou composta de pequenas peças de cores variadas e me orgulho disso. Vez ou outra, encontro alguém que torce o nariz para minhas decisões – afinal, somos acostumados a ver pessoas seguindo apenas um caminho, usando antolhos imaginários e não se permitindo ousar, testar outras possibilidades. Em algum momento da história humana, podamos essa chance de sermos multi. Não perdermos essa oportunidade, porém. Podemos assumir essa variedade de faces, essas paixões avassaladoras. O que falta é apenas se permitir, arrancar de si as amarras que o cotidiano acelerado da vida moderna nos impôs.
Eu não me arrependo de ter me libertado. E nem imagino que venha me arrepender algum dia.

Filmes

[Filmes] “I know you I walked with you once upon a dream”

E eis que depois de muita espera, muita ansiedade gerada por trailers fenomenais, pôsteres e teasers capazes de te fazer desmaiar, Malévola estreou nessa última quinta feira, 29/05. Ao contrário da expectativa que o longa causou (mérito à Disney e a excepcional divulgação que foi feita. Sério, eu me arrepiava horrores com os vídeos lançados na página oficial do estúdio), saí do cinema com uma sensação de incompletude. Satisfeita sim, pois há vários pontos no longa que me agradaram bastante e gostei demais da forma como alguns fatos foram construídos e trabalhados, mas não é a primeira vez que vejo a uma mega produção do gênero e sinto que faltou algo para tornar o trabalho ainda melhor.
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