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Kamile

Animes, Diario, Mangás, Quadrinhos

[diário] quando me identifiquei com o professor

da época em que eu assistia Naruto para cá, somam (quase) treze anos. fazia um considerável tempo que eu não via nenhum shounen de lutinha nos mesmos esquemas do rapazinho que guardava a Kyuubi dentro de si. pois muito bem, aproveitei que estava voltando a assistir animes e resolvi no mês de janeiro dar uma chance ao amado Boku no Hero Academia, do qual já havia ouvido muito a respeito, mas não sabia praticamente nada.

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Diario

[diário] o fantasma sobre os ombros

existe um filme tailandês de terror do qual gosto muito e que vi quando tinha uns treze anos. o que eu achava melhor era o final, quando descobríamos que o espírito maligno que assombra os personagens estava, na verdade, sentado sobre os ombros de um dos protagonistas. era uma cena grotesca, bem pensada e que nunca esqueci por motivos autoexplicativos.

corta para hoje. recentemente, conversando com minha terapeuta, ela disse que racionalizo muito os meus sentimentos e que, de certo modo, minha ansiedade segue pelo mesmo rumo. sem querer, talvez por culpa da lua em capricórnio, acabo dando um viés racional para algo que é totalmente o oposto. costumo dizer: “ah, tenho ansiedade generalizada” e só. não dou cara para o que sinto, não faço um fluxo de consciência à Clarice Lispector. e ela, minha terapeuta, pediu que eu desse uma forma à bendita, como naquele vídeo em que a depressão é retratada como um grande cachorro preto.

pois bem, resolvi seguir o conselho. minha ansiedade seria como o espírito do filme que citei lá no começo no texto. ela não pesa, é incorpórea, mas está lá. ela vê o que faço, para onde vou e, quando quer, decide que não há muito problema em se materializar – às vezes um pouquinho, só para se fazer pesada, e às vezes resolve ter uma tonelada para atrapalhar as vida mesmo. e viver com muito peso sobre os ombros não dá certo. se já é praticamente impossível andar com uma mochila cheia de coisas nas costas, quem dirá com um espectro de formas humanas?

aí surgem os sintomas clássicos: músculos tensionados, respiração comprometida, cansaço eterno, dores de cabeça… você se sente comprimida, esmagada, andar fica difícil, viver mais ainda. é tão pesado que tudo o que se quer é poder compartilhar com alguém um pouco do peso. e mesmo quando ela está leve, você sabe que está ali, aquela presença que continua tensionando os seus ombros de alguma maneira por simplesmente existir.

não tenho mais problemas em dizer que sofro de ansiedade, não quando passei um ano e meio trabalhando num lugar onde todo mundo perguntava por que minha pele estava tão irritada, cheia de erupções e feridas. acabei explicando com sinceridade: “bem, tenho ansiedade”. como já disse, não tenho problemas em explicar o que tenho – meu verdadeiro tormento é lidar com as perguntas que surgem depois: “mas por quê? você é uma mulher linda, tem um relacionamento estável, terminou uma faculdade, está fazendo outra, lançou livros…?”.

é difícil para as pessoas compreenderem que a gente não escolhe carregar o fantasma sobre os ombros. se eu pudesse, jamais sentiria o seu peso e as consequências que ele me traz. jamais teria coçado a minha pele a ponto de ferir, jamais teria tido problemas de memória ou mesmo esquecido as coisas no auge da crise (já contei a história de quando joguei, sem querer, um rolo de papel higiênico no lixo porque não prestei atenção?). a ansiedade me atrapalha de muitas maneiras: seja me fazendo não lidar bem com sentimentos como a raiva, quando geralmente travo; seja me fazendo evitar determinados lugares por medo; seja me causando brancos em apresentações da faculdade; seja me dando dor de barriga quando estou muito nervosa… são tantas reações que enumerar aqui fica até difícil (e quem tiver aí vai completar a lista fácil, fácil).

talvez essa seja uma das partes que mais dói, não receber a compreensão de que você não tem qualquer tipo de controle sobre o fantasma em seus ombros. ele é que te guia, que move a sua cabeça para a direção que bem deseja, que fala em seus ouvidos o que quer que você faça. é cruel dar a entender para uma pessoa que ela pode escolher sofrer ou não. ainda que haja vitórias em sua vida (e pelas quais você é feliz e agradecido), não dá para negar a existência daquele espectro e fingir que tudo está bem. não, não está.

há certos encostos que não dá para exorcizar, e esse é um deles. é preciso aprender a lidar com o fantasma, fazer algo que o torne um pouco mais leve, mais controlado – mas é aí também que reside o desafio. a máxima de um dia após o outro é válida também para quem lida com o espectro da ansiedade. há dias em que não sinto o seu peso, há outros em que preciso forçá-lo a ficar mais leve e outros em que apenas aceito a sua tonelada. alimento a esperança de poder controlar de vez o meu fantasma, mas, até lá, vou lidando do jeito que eu posso.

um dia após o outro, e sempre isso.

Diario, Escrita criativa, Literatura, Vida que acontece

[diário] talvez eu não ame mais escrever

a última vez que escrevi foi em meados de outubro de 2016, uma fanfic de Mystic Messenger (se não souber o que é, clica aqui). desde então, quase todas as tentativas são frustradas. quase, porque consegui ter um surto de criatividade em setembro do ano passado que gerou umas 3 mil palavras – e que, como qualquer surto, passou bem rápido. dei muito murro em ponta de faca de lá para cá. não foi por má vontade, juro. tentei mesmo escrever quando não tinha vontade, e a coisa não apenas não fluiu como me pareceu um tipo de tortura. me fazia mal estar de frente para o word e me fazia mal estar longe dele. me fazia mal, ponto.
tinha algo muito errado. conversei com muitas pessoas porque não entendia o que estava acontecendo. escrever era a minha vida desde que eu me entendia por gente e, de repente, era nocivo. sentar e me dedicar somente a isso me dava uma sensação de que eu não estava me respeitando, mas nem eu mesma conseguia compreender o que sentia. o máximo que eu fazia com algum sucesso era escrever meus pensamentos no diário para levar para a terapia, e ainda assim não era algo costumeiro. e como disse lá em cima, dei muito murro em ponta de faca. me matriculei em curso de escrita criativa, comprei livros sobre o assunto, conversei com deus e o mundo, mas nada conseguiu resolver. pelo contrário, me afundou ainda mais. não adiantou explicar sobre o esgotamento emocional que tive em 2016, com uma versão um pouco mais assustadora e rápida em 2017, ou sobre como todo o meu planejamento para o ano saiu incrivelmente errado e fiquei meio perdida. de alguma forma, a culpa era minha. de alguma maneira, se eu não corresse para ser produtiva e lançar algo novo no mercado, ficaria no limbo.
e aí, meio que resolvi não fazer mais nada. porque depois de tanta pancada e de um punho todo sangrento, a melhor coisa que posso fazer por mim agora é o tempo ao tempo. se insistir em escrita não funciona, não vou mais me forçar. se mexer com literatura não tá sendo gostoso como era antes, não vou mais mexer. talvez haja outras prioridades na frente. talvez me consolidar como escritora não seja mesmo o meu objetivo agora, talvez nem seja algum dia. talvez eu possa me dedicar a outras coisas, como voltar a estudar desenho. talvez seja até mesmo hora para me dedicar à faculdade e sair de lá o mais rápido o possível. ou de cuidar do meu corpo, que passou tanto tempo relegado aos piores patamares do nível de prioridades da minha vida. ou procurar novas possibilidades de empregos, fazer alguns cursos que são sonhos antigos, descobrir novos locais para comer. não sei, tem muita coisa para fazer.
preciso admitir para mim mesma que falhei com aquilo que desejava – ainda que algumas coisas tenham dado certo, o meu objetivo mesmo não funcionou. e não tem problema em ter falhado, em ter me atropelado, parte mais difícil de aceitar e compreender. tá tudo certo, tenho uma vida inteira. se a paixão pela escrita for verdadeira e não apenas algo que era da minha infância/adolescência, uma hora ela volta. é possível até mesmo que eu tenha mais história para contar. quem sabe.

Literatura, Livros, Resenhas

[Resenha] Golem e o Gênio – Helene Wecker

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Golem e o Gênio (DarkSide, 2015), como o próprio título denuncia, narra a história dessas duas criaturas mágicas que se encontram ao acaso numa Nova York do início do século XX. De um lado, temos Chava, a Golem, uma mulher feita de barro que foi criada para ser a esposa de um jovem alemão que está tentando a sorte na América. No entanto, após um determinado acontecimento, a Golem aporta sozinha nos Estados Unidos, sem ter a quem recorrer.

Do outro lado, temos Amhad, o gênio, essa criatura de fogo e espírito livre que, depois de mil anos preso dentro de um jarro de azeite, se vê livre na América dos anos 1890. Libertado por um latoeiro, o gênio se vê trancafiado em sua forma humana, sem qualquer chance de se libertar ou memórias que possam lhe explicar o que aconteceu.

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Mangás, Quadrinhos, Resenhas

[Resenha] Vitamin – Keiko Suenobu

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Definitivamente, Vitamin (Editora JBC, 2015) será um mangá que levarei um bom tempo para me desapegar, carregando comigo todas as impressões que ele me trouxe. Asseguro isso porque, mesmo após o fim das 185 páginas que contam a história de Sawako, reabri minha edição para reler trechos, analisar os desenhos, confirmar que aquilo havia, de fato, acontecido. E esse exercício foi tão doloroso quanto ler o enredo pela primeira vez.
Em Vitamin, conhecemos a Sawako, essa estudante de 15 anos prestes a fazer um vestibulinho, que a garantirá entrar num bom colegial japonês. No início do mangá, Sawako é a típica personagem de aventura shoujo: uma garota submissa, sem muitas características que a destaquem e que tenta agradar todo mundo, menos ela mesma. Isso se torna ainda mais claro quando, contra sua vontade, a menina aceita transar com o namorado em sala de aula e é surpreendida por um colega de sala. É aí que o inferno na vida da nossa protagonista começa.

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Vida que acontece

A boa filha a casa volta

Demorou um ano. O domínio foi garantido em julho do ano passado, assim como as postagens foram transferidas do finado Café da Kami há um bom tempo. O layout, porém, veio em meados de junho desse ano – porque foi quando deu para sentar na cadeira e pensar o que eu queria com mais este novo espaço na internet. E ainda estou pensando.

Ficar um ano sem blogar foi estranho. Para quem não sabe, sou rata da blogosfera, com idas e vindas, há doze anos. Meu primeiro blog (algo estranho como coisinhasdasailorwitch) surgiu em 2004, quando eu tinha onze anos. De lá pra cá, surgiram vários endereços que não consegui manter por muito tempo. O Café da Kami foi um deles. Quando a vida pesou, o blog ficou em quinto plano, completamente abandonado.

Mas aqui estamos para começar – de novo. Estamos, porque este blog não será feito apenas por duas mãos (graças a Deus!). Espero que, dessa vez, as coisas deem certo. Farei por onde, pelo menos – e tentarei deixar a vida não me atrapalhar mais uma vez.

Bem-vindos ao Chá mate com limão!