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[Literatura] Porque desperdiço meu “talento” escrevendo livro Malhação: e porque eu gosto tanto

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(A Pequena Sereia, por Arthur Rackham)

Recentemente, estava eu conversando com uma pessoa querida sobre literatura – saliento que eu gosto bastante de conversar com esse amigo sobre livros, pois temos gostos relativamente parecidos  e isso gera boas discussões. Eis que, durante um momento acalorado da conversa, surge a seguinte afirmação por parte dele:

“Não sei porque você desperdiça seu talento escrevendo livro Malhação”

Minha primeira reação foi ficar calada, meio surpresa, meio espantada, meio sem saber como reagir. Não é de hoje que eu sei que meu amigo não aprecia literatura voltada para jovens, então não fiquei tão abismada pela afirmação. A questão aqui é que eu não entendi se isso foi um elogio, uma crítica ou uma desvalorização federal ao meu trabalho. Só sei que sorri de forma amarelada e continuei conversando sobre outros assuntos, evitando voltar o foco da conversa para mim.
Mas o fato é que isso me fez pensar. E ao invés de me sentir elogiada por ser considerada talentosa, me senti extremamente ofendida. Triste até, porque jamais me senti desperdiçando tempo por dedicar minhas duas publicações (incluindo a terceira que está por vir) a um público adolescente. Não fiquei com raiva do meu amigo porque eu respeito a sua opinião, porém é inevitável não se sentir mal por isso.
Foi então que eu resolvi dissertar um pouco sobre o assunto – e explicar porque eu dedico minha escrita a uma faixa etária que é tão desprezada.
Vamos começar pelo ponto que: não acredito em talento nato. Se tem uma coisa que a faculdade de Design me ensinou é que talento é algo pífio se você tiver predisposição e boa vontade. Se você gosta de escrever, escreva. Se gosta de desenhar, desenhe. Existirá um momento em que a prática intensa e o estudo vão te tornar um artista melhor. Mas se você faz tudo isso com maestria desde os três anos de idade, só posso te dar os parabéns e afirmar que você é um caso entre mil. Para a maioria das pessoas, a coisa só funciona com muito esforço.
Por isso, eu não me considero exatamente talentosa – me considero muito, muito esforçada. Há quem diga que eu sou boa escritora, mas, se pegarem os cadernos em que eu escrevia minhas histórias de bruxas e alienígenas com onze anos, com certeza iriam querer chorar.  Logo, não nasci como a Kamile de 22 anos: eu pratiquei muito para chegar no meu nível atual e levei anos para isso.
Salientado isso, vamos ao segundo ponto: não tenho o menor interesse em ser escritora academicista. Admiro quem escreve pela paixão à linguagem e se empenha em fazer construções lexicais extremamente bonitas, prezando muito mais pela linguagem do que pela história em si. São textos bonitos de se ler e eu gosto bastante de alguns, mas não esperem que eu reproduza isso – e simplesmente porque não me interessa. Posso ler e gostar de trabalhos que sigam essa linha, porém não é meu estilo e não será algo que farei. É como gosto musical: não me esperem me encontrar num show de forró ou num baile funk, assim como não esperem que eu lance um livro que será aclamado como obra prima pelos acadêmicos. Não tenho a menor vontade.
Terceiro ponto: livros com temática infanto-juvenil e juvenil são extremamente importantes para o crescimento do leitor. Você pode até não gostar de livros direcionados para essa faixa etária e ter começado suas leituras com Dostoiévski, mas nem todo mundo é como você. Tenho uma amiga que perdeu o prazer pela leitura quando a escola a obrigou a ler clássicos literários sem antes prepará-la como leitora para essas obras, mais ou menos quando ela tinha treze anos de idade. Fico me perguntando se, caso ela tivesse continuado a ler os livros do Pedro Bandeira e da Giselda Laporta Nicolelis – dois autores que nós líamos muito, isso teria acontecido.
O leitor que está amadurecendo precisa de livros que conversem com a sua faixa etária, que possam despertar o prazer da leitura para, futuramente, ele conseguir ler os clássicos sem sofrimento e apreciando o que está lendo. E se ninguém se propuser a escrever para esses jovens, quem o fará? Quem vai mostrar a um adolescente que ler é tão legal quanto ir a um cinema? Quem vai poder mostrar a essa garotada heróis que passam pelas mesmas dúvidas e transformações da adolescência? E outra: será que trabalhos de grandes escritores juvenis têm menos qualidade literária por serem direcionados a um público jovem? Será que devemos desprezar o que C.S. Lewis, J. K. Rowlling, Pedro Bandeira, Paula Pimenta, Rick Riordan, John Green e Babi Dewet fizeram porque eles são para pré-adolescentes e adolescentes? Eu acredito que não.
Dito isso, entro no meu último ponto: eu gosto MUITO de trabalhar com adolescentes. E essa é uma das principais questões a meu ver. Eu gosto de ver minhas priminhas de doze e onze anos falando que querem ler meus livros, interessadas pelo assunto deles. Eu gosto de quando a irmã mais nova de uma das minhas melhores amigas fala para mim que gostou tanto de Outubro quanto de Yume e fica super feliz em conversar sobre livros comigo. E um dos momentos mais emocionantes para mim como escritora foi conversar com minha leitora de dezoito anos e ver que ela ficou feliz por me encontrar – e que havia amado Yume. Essas são coisas que aquecem o meu coração e que me fazem sentir que meu trabalho valeu algo, sim.
É uma escolha minha “desperdiçar meu talento com adolescentes”. Não que isso implique que tudo que eu produzir será direcionado para esse público – até porque, como escritora e amante da linguagem, gosto sempre de me explorar e descobrir até onde posso ir -, mas eu escolhi conversar com esses meninos através dos meus livros, poder incentivá-los à leitura da mesma forma que fizeram comigo quando eu tinha a idade deles. Posso não ser a mestra nas construções sintáticas ou uma pessoa que será aclamada pela academia, porém, desde que comecei a escrever, jamais pensei em ser elogiada como uma nova Machado de Assis: eu gosto de contar histórias e isso é tudo.  E enquanto eu tiver pessoas ao meu redor, materializadas no papel e prontas para ouvir o que tenho a dizer, continuarei contando minhas histórias – com teor de Malhação ou não.

Cotidiano, Filmes, Inspiração

[Filme] Cinco indicações que fazem você repensar a vida

Vez ou outra, me pego pensando em alguns filmes que nos ensinam  um pouco sobre “como viver” ou nos fazem pensar sobre “o que você estamos fazendo da nossa vida?” Sabe, aqueles filmes que dão uma boa mensagem no final, como uma moral das histórias antigas, nos levando a um estágio de reflexão sobre quem somos e o que vivemos.
Tentei pensar e colocar alguns filmes que falam sobre o assunto. Selecionei cinco deles, todos, digamos, atuais. Seguem:

1- A Vida Secreta de Walter Mitty (2013)

Em uma mistura de sonhos e realidades, Walter tenta encontrar um propósito para viver e ser o que ele sempre quis: alguém. Não que ele não seja, pois trabalha para uma revista importante, mas Ben Stiller, além de atuar e dirigir, traz um tom dramático ao protagonista no remake de O Homem de 8 Vidas (1948). Um lindo trabalho, por sinal.

2- Na Natureza Selvagem (2007)

O filme é inspirado no livro sobre a vida de Chris McCandless, um jovem que larga uma vida estável para se aventurar pelo Estados Unidos com um destino em mente: Alasca. O filme é muito bonito, com ótimas lições sobre desapego e reflexões sobre relacionamento social, além de ter uma trilha on the road feita pelo Eddie Vedder.

3- Mesmo Se Nada Der Certo (2014)

Um casal de músicos e um produtor musical desprestigiado são os personagens principais dessa trama musical. Seguindo a receita de Apenas Uma Vez (2006), o filme coloca em cheque momentos de reflexão sobre a vida. Talvez sobre aceitação, talvez sobre mudança – você decide.

4- À Procura da Felicidade (2006)

Uma história sobre superação. Isso resume bem o longa que traz uma emocionante trama, sobre como um pai busca “dar a volta por cima” e dar uma vida digna ao seu filho pequeno.

5- Livre (2014)

Uma busca sobre autoconhecimento e amadurecimento: Livre traz a história da autobiografia de  Cheryl Strayed, uma mulher “quebrada” pelos acontecimentos de sua vida e que precisa encontrar e se reconectar com seu lado firme e não destrutivo. Para isso, ela se dispõe a andar da fronteira do México até o Canadá pela Pacific Crest Trail, uma das trilhas mais difíceis dos Estados Unidos.

Esses são alguns dos filmes que me fizeram pensar e refletir. Vocês têm algum longa que lhes cause a mesma reflexão? Não deixe de nos contar!

Até a próxima!

Cotidiano, Crônicas, Diario

[Diário] Multifacetada

Não lembro em qual momento da minha vida declarei para a minha mãe que eu gostaria de ter uma dupla formação acadêmica. Também não lembro em qual instante desisti dessa ideia porque ela parecia completamente inviável (se não me engano, foi no terceiro ano do ensino médio. Já perceberam que esse período foi um mar revolto para mim, não?) Minha mãe me apoiava, porém. Ela enchia o peito de orgulho quando eu mostrava a infinidade de assuntos pelos quais me interessava. Eu gostava de moda, de design, de história, de línguas e literaturas. Era uma adolescente que se identificava com várias áreas que, por uma graça quase divina, conseguiam se interligar.
Estou no início da minha vida adulta e percebo que nada, absolutamente nada, mudou.
Passei dois anos cursando Letras Português com aquela sensação de vazio. Eu me sentia infeliz, embora adorasse acordar cedo para ir numa aula de Teoria da Literatura, Literatura Portuguesa ou Literatura Brasileira. Sempre gostei de estar cercada de livros e xérox (embora, assumo, eu sempre me desesperasse com a quantidade infinita de coisas para ler), mas não era o suficiente. Eu conversava com outras pessoas, via a felicidade e a realização delas em seus caminhos e pensava: “o que está faltando para mim?”, “por que não sou feliz assim, mesmo em um lugar com o qual me identifico?”. Passei por um momento de crise existencial, daqueles tipos que costumam assolar jovens que dão os primeiros passos no mundo nada glamoroso dos adultos. Assumi várias responsabilidades muito cedo e me bateu um desespero: “como vou dar conta de tanta coisa estando tão vazia e tão sem perspectivas?”
Hoje entendo o meu problema – ou solução. Sou multifacetada.
Entrar no design foi uma realização sem medidas para mim. Assumir minha dupla paixão por linguagem verbal e visual retirou um peso de uma tonelada das minhas costas. Percebi que não nasci para ser designada a uma função apenas, que gosto (e tenho orgulho) de fazer de tudo um pouco. Me realizo escrevendo, lendo, revisando, assim como trabalhando no Photoshop, no Illustrator, no Indesign. Amo livros, amo projetos gráficos, editoração, websites, literatura. Às vezes é complicado assumir tantas responsabilidades, casar áreas que, a uma primeira olhada, parecem divergentes, mas jamais senti uma felicidade tão completa. E esse sentimento de completude cresce quando encontro relatos de pessoas que tomaram decisões similares e não se definiram em apenas uma função (quer exemplo maior que os renascentistas, que tinham habilidades em várias áreas?)
Não tenho problemas em assumir que não sou unicamente escritora, estudante, aprendiz de designer ou dona de casa que dá os primeiros passos. Não pretendo, também, me prender apenas a uma área ao longo da minha vida. Sou composta de pequenas peças de cores variadas e me orgulho disso. Vez ou outra, encontro alguém que torce o nariz para minhas decisões – afinal, somos acostumados a ver pessoas seguindo apenas um caminho, usando antolhos imaginários e não se permitindo ousar, testar outras possibilidades. Em algum momento da história humana, podamos essa chance de sermos multi. Não perdermos essa oportunidade, porém. Podemos assumir essa variedade de faces, essas paixões avassaladoras. O que falta é apenas se permitir, arrancar de si as amarras que o cotidiano acelerado da vida moderna nos impôs.
Eu não me arrependo de ter me libertado. E nem imagino que venha me arrepender algum dia.

Cotidiano, Diario, Livros

[Feriado] Gripe + final de semana e o que fazer nesses dias

Se tem uma coisa que realmente detesto é gripe. E se tem algo que eu detesto duas vezes mais é ficar gripada em um feriado. Desde segunda feira, estou acamada, sem conseguir respirar direito, com a garganta doendo e tossindo a valer. Faltei aulas, atrasei tarefas, enfim… Um horror. Hoje, como estou me sentindo um pouco melhor, resolvi colocar algumas coisas em dia, como revisões e matérias. Porém, esse é o primeiro dia do feriadão e me programei para não ficar apenas tirando o atraso das obrigações. Eis algumas coisas que pretendo fazer até domingo:

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Cotidiano, Crônicas

[Crônica] Recomeçar… De novo.

(fonte: Tumblr)

 

Não lembro quando e nem como a conversa chegou a esse ponto. Minha tia estava falando com algum (a) amigo (a) meu (minha) quando soltou: “as pessoas têm medo de mudar”.
Lembro que essa frase não foi dirigida a mim, mas me acertou de um jeito que me assustou. Pensei com meus botões “Não, eu não sou desse tipo. Não tenho medo de mudanças!”, mas, logo em seguida, encarei alguns pequenos detalhes da minha vida que não está muito bons e… Bom, percebi que não fiz nada para consertá-los porque eles exigem, sim, mudanças. E daquelas bem drásticas.
Foi o suficiente para que a frase da minha tia voltasse a me martelar, como se tivesse sido dita para mim, e não para o meu amigo. E comecei a pensar no conforto da comodidade, ainda que a mesmice do dia a dia traga a insatisfação e a tristeza. É muito melhor manter-se na mesma frustração diária do que se mover para modificar algo. É muito mais prático apenas reclamar e reclamar do que fechar a boca e criar uma meta. Mudanças são complicadas sim. Requerem desprendimentos e podem trazer angústias a princípio. Contudo, são necessárias, principalmente se a situação atual não traz satisfação e tranquilidade de espírito. Permanecer em um estado de completa tristeza não é uma atitude muito sensata.
Foi pensando nisso – e no fato de eu me perceber medrosa – que resolvi começar a mudar. Nesse processo, estou dando de cara com algo ainda mais complicado, chamado “recomeçar”. Aí sim, meu amigo, o bicho pega. Recomeçar é mais assustador do que modificações. Você tem de encarar o receio de passar pelas mesmas e conhecidas fases e o medo de chegar às etapas finais sem a esperada realização que o incentivou no início da empreitada. Mas por que não arriscar? Por que não tentar transformar as coisas e torná-las mais agradáveis?
E aí que estou recomeçando… de novo. Recomeçando a pensar no que eu quero ou não fazer daqui para a frente (e sim, com vinte anos e quase três de faculdade), recomeçando projetos que estavam abandonados e vão ganhar novas roupagens, recomeçando dietas… Recomeçando tudo que eu acho que precisa mudar.
Se estou com medo? Não tanto. No meu caso, não há muito motivo para temer mudanças, ainda que drásticas.  Há vezes em que elas e os benditos recomeços são a única saída para manter a sanidade. O futuro a Deus pertence. Até lá, porém, terei a consciência de que me esforcei para tentar fazer diferente.

Ano Novo, Cotidiano

[Ano Novo] Lista de pretensões de 2013

Começamos 2013 e, com o início do novo ano, vem aquela coisa gostosa de fazer projetos e levá-los à frente no decorrer desses novos 365 dias. Nesse ano, porém, fiz uma lista pequena sobre o que eu pretendo alcançar ainda neste período. Não são muitos planos, mas considero que quanto menos, melhor. A chance de realizá-los aumenta.
Anyway, vamos lá.

1 – Perder peso!

 (fonte: Tumblr)

Além da estética, há outra questão muito importante no primeiro tópico. Apenas emagrecendo, poderei fazer uma cirurgia que pretendo há alguns anos e que vai me ajudar a melhorar a minha postura (quem me conhece sabe que eu sou um pouco curvada). Então, além da pretensão de fechar a boca (!), há aqui a vontade de voltar a dançar e, possivelmente, nadar. Estou sentindo falta de me movimentar.

2 – Estudar línguas

(fonte: Tumblr)

Estudar línguas estrangeiras se tornou minha principal ambição no quesito de profissão. Há algum tempo, venho matutando a ideia de acrescentar uma habilitação na faculdade por acreditar que isso aumenta as minhas chances no mercado de trabalho. Estou correndo atrás disso e espero de coração que dê certo.

3 – Escrever mais

2012 foi um ano bastante complicado, e considero que não foi muito produtivo. Embora ideias para novos projetos (lembram os dois que falei no último post?)  tenham surgido, não acho que escrevi muito. Porém, estou tentando mudar esse panorama. Pretendo concluir o primeiro tratamento de pelo menos uma dessas novas ideias que estão me rondando!
(E também, escrever mais contos para colocar aqui no blog!)

4 – O blog, a página e o Twitter.

Como também falei no último post, cuidar das redes sociais nesse ano é uma das minhas prioridades. Estou me esforçando para me organizar e não deixar os três citados acima à deriva. É um pouco complicado conciliar, mas pretendo fazê-lo!

5 – Ler mais

(Fonte: Tumblr)

2012 também não foi um ano de muitas leituras. Acredito que eu poderia ter me dedicado mais aos livros que estão aqui. Outro ponto a se corrigir em 2013!

 

Acredito que, por hora, sejam apenas essas as minhas pretensões para 2013. Como falei, não são muitas, mas pretendo dar conta de todas :)
E vocês? O que esperam do novo ano?