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[diário] o fantasma sobre os ombros

existe um filme tailandês de terror do qual gosto muito e que vi quando tinha uns treze anos. o que eu achava melhor era o final, quando descobríamos que o espírito maligno que assombra os personagens estava, na verdade, sentado sobre os ombros de um dos protagonistas. era uma cena grotesca, bem pensada e que nunca esqueci por motivos autoexplicativos.

corta para hoje. recentemente, conversando com minha terapeuta, ela disse que racionalizo muito os meus sentimentos e que, de certo modo, minha ansiedade segue pelo mesmo rumo. sem querer, talvez por culpa da lua em capricórnio, acabo dando um viés racional para algo que é totalmente o oposto. costumo dizer: “ah, tenho ansiedade generalizada” e só. não dou cara para o que sinto, não faço um fluxo de consciência à Clarice Lispector. e ela, minha terapeuta, pediu que eu desse uma forma à bendita, como naquele vídeo em que a depressão é retratada como um grande cachorro preto.

pois bem, resolvi seguir o conselho. minha ansiedade seria como o espírito do filme que citei lá no começo no texto. ela não pesa, é incorpórea, mas está lá. ela vê o que faço, para onde vou e, quando quer, decide que não há muito problema em se materializar – às vezes um pouquinho, só para se fazer pesada, e às vezes resolve ter uma tonelada para atrapalhar as vida mesmo. e viver com muito peso sobre os ombros não dá certo. se já é praticamente impossível andar com uma mochila cheia de coisas nas costas, quem dirá com um espectro de formas humanas?

aí surgem os sintomas clássicos: músculos tensionados, respiração comprometida, cansaço eterno, dores de cabeça… você se sente comprimida, esmagada, andar fica difícil, viver mais ainda. é tão pesado que tudo o que se quer é poder compartilhar com alguém um pouco do peso. e mesmo quando ela está leve, você sabe que está ali, aquela presença que continua tensionando os seus ombros de alguma maneira por simplesmente existir.

não tenho mais problemas em dizer que sofro de ansiedade, não quando passei um ano e meio trabalhando num lugar onde todo mundo perguntava por que minha pele estava tão irritada, cheia de erupções e feridas. acabei explicando com sinceridade: “bem, tenho ansiedade”. como já disse, não tenho problemas em explicar o que tenho – meu verdadeiro tormento é lidar com as perguntas que surgem depois: “mas por quê? você é uma mulher linda, tem um relacionamento estável, terminou uma faculdade, está fazendo outra, lançou livros…?”.

é difícil para as pessoas compreenderem que a gente não escolhe carregar o fantasma sobre os ombros. se eu pudesse, jamais sentiria o seu peso e as consequências que ele me traz. jamais teria coçado a minha pele a ponto de ferir, jamais teria tido problemas de memória ou mesmo esquecido as coisas no auge da crise (já contei a história de quando joguei, sem querer, um rolo de papel higiênico no lixo porque não prestei atenção?). a ansiedade me atrapalha de muitas maneiras: seja me fazendo não lidar bem com sentimentos como a raiva, quando geralmente travo; seja me fazendo evitar determinados lugares por medo; seja me causando brancos em apresentações da faculdade; seja me dando dor de barriga quando estou muito nervosa… são tantas reações que enumerar aqui fica até difícil (e quem tiver aí vai completar a lista fácil, fácil).

talvez essa seja uma das partes que mais dói, não receber a compreensão de que você não tem qualquer tipo de controle sobre o fantasma em seus ombros. ele é que te guia, que move a sua cabeça para a direção que bem deseja, que fala em seus ouvidos o que quer que você faça. é cruel dar a entender para uma pessoa que ela pode escolher sofrer ou não. ainda que haja vitórias em sua vida (e pelas quais você é feliz e agradecido), não dá para negar a existência daquele espectro e fingir que tudo está bem. não, não está.

há certos encostos que não dá para exorcizar, e esse é um deles. é preciso aprender a lidar com o fantasma, fazer algo que o torne um pouco mais leve, mais controlado – mas é aí também que reside o desafio. a máxima de um dia após o outro é válida também para quem lida com o espectro da ansiedade. há dias em que não sinto o seu peso, há outros em que preciso forçá-lo a ficar mais leve e outros em que apenas aceito a sua tonelada. alimento a esperança de poder controlar de vez o meu fantasma, mas, até lá, vou lidando do jeito que eu posso.

um dia após o outro, e sempre isso.

Diario, Escrita criativa, Literatura, Vida que acontece

[diário] talvez eu não ame mais escrever

a última vez que escrevi foi em meados de outubro de 2016, uma fanfic de Mystic Messenger (se não souber o que é, clica aqui). desde então, quase todas as tentativas são frustradas. quase, porque consegui ter um surto de criatividade em setembro do ano passado que gerou umas 3 mil palavras – e que, como qualquer surto, passou bem rápido. dei muito murro em ponta de faca de lá para cá. não foi por má vontade, juro. tentei mesmo escrever quando não tinha vontade, e a coisa não apenas não fluiu como me pareceu um tipo de tortura. me fazia mal estar de frente para o word e me fazia mal estar longe dele. me fazia mal, ponto.
tinha algo muito errado. conversei com muitas pessoas porque não entendia o que estava acontecendo. escrever era a minha vida desde que eu me entendia por gente e, de repente, era nocivo. sentar e me dedicar somente a isso me dava uma sensação de que eu não estava me respeitando, mas nem eu mesma conseguia compreender o que sentia. o máximo que eu fazia com algum sucesso era escrever meus pensamentos no diário para levar para a terapia, e ainda assim não era algo costumeiro. e como disse lá em cima, dei muito murro em ponta de faca. me matriculei em curso de escrita criativa, comprei livros sobre o assunto, conversei com deus e o mundo, mas nada conseguiu resolver. pelo contrário, me afundou ainda mais. não adiantou explicar sobre o esgotamento emocional que tive em 2016, com uma versão um pouco mais assustadora e rápida em 2017, ou sobre como todo o meu planejamento para o ano saiu incrivelmente errado e fiquei meio perdida. de alguma forma, a culpa era minha. de alguma maneira, se eu não corresse para ser produtiva e lançar algo novo no mercado, ficaria no limbo.
e aí, meio que resolvi não fazer mais nada. porque depois de tanta pancada e de um punho todo sangrento, a melhor coisa que posso fazer por mim agora é o tempo ao tempo. se insistir em escrita não funciona, não vou mais me forçar. se mexer com literatura não tá sendo gostoso como era antes, não vou mais mexer. talvez haja outras prioridades na frente. talvez me consolidar como escritora não seja mesmo o meu objetivo agora, talvez nem seja algum dia. talvez eu possa me dedicar a outras coisas, como voltar a estudar desenho. talvez seja até mesmo hora para me dedicar à faculdade e sair de lá o mais rápido o possível. ou de cuidar do meu corpo, que passou tanto tempo relegado aos piores patamares do nível de prioridades da minha vida. ou procurar novas possibilidades de empregos, fazer alguns cursos que são sonhos antigos, descobrir novos locais para comer. não sei, tem muita coisa para fazer.
preciso admitir para mim mesma que falhei com aquilo que desejava – ainda que algumas coisas tenham dado certo, o meu objetivo mesmo não funcionou. e não tem problema em ter falhado, em ter me atropelado, parte mais difícil de aceitar e compreender. tá tudo certo, tenho uma vida inteira. se a paixão pela escrita for verdadeira e não apenas algo que era da minha infância/adolescência, uma hora ela volta. é possível até mesmo que eu tenha mais história para contar. quem sabe.

Vida que acontece

A boa filha a casa volta

Demorou um ano. O domínio foi garantido em julho do ano passado, assim como as postagens foram transferidas do finado Café da Kami há um bom tempo. O layout, porém, veio em meados de junho desse ano – porque foi quando deu para sentar na cadeira e pensar o que eu queria com mais este novo espaço na internet. E ainda estou pensando.

Ficar um ano sem blogar foi estranho. Para quem não sabe, sou rata da blogosfera, com idas e vindas, há doze anos. Meu primeiro blog (algo estranho como coisinhasdasailorwitch) surgiu em 2004, quando eu tinha onze anos. De lá pra cá, surgiram vários endereços que não consegui manter por muito tempo. O Café da Kami foi um deles. Quando a vida pesou, o blog ficou em quinto plano, completamente abandonado.

Mas aqui estamos para começar – de novo. Estamos, porque este blog não será feito apenas por duas mãos (graças a Deus!). Espero que, dessa vez, as coisas deem certo. Farei por onde, pelo menos – e tentarei deixar a vida não me atrapalhar mais uma vez.

Bem-vindos ao Chá mate com limão!

Diario

[Diário] Sobre fazer (velhas) coisas novas e se redescobrir

Que meu dia a dia é uma correria todos sabem. Sempre reclamo disso no Twitter e no meu finado Facebook. Ano passado, por causa dessa rotina de maluco, senti que iria surtar a qualquer instante. Deixei muita coisa que eu gosto de fazer de lado, me enfiei de cabeça na dupla graduação e me esqueci da coisa mais importante que tenho: eu mesma. Já viram o resultado, né? Não poderia ser mais desastroso: ansiedade, sobrepeso perigoso (porque sim, eu descontei em comida), sono irregular e uma série de coisas ruins que nos atacam quando resolvemos deixar de lado o nosso bem estar. Passei com louvor em todas as disciplinas da faculdade, mas meu corpo sofreu a consequência (e convenhamos: faculdade nenhuma vale mais que a sua saúde psicológica bem legal).
Por causa dessa série de problemas, resolvi fazer diferente nesse novo semestre (que, por sinal, está bem mais intenso que o anterior). Numa disciplina maravilhosa que faço na UFC, do curso de Sistemas e Mídias Digitais, ouvi que é importante se permitir fazer uma coisa que nunca se fez para manter a criatividade trabalhando de forma constante e regular. Resolvi unir isso a outra coisa que escutei em terapia: é necessário fazer coisas prazerosas e sair da rotina para não ter outra crise de ansiedade super tensa. Partindo desse princípio, resolvi resgatar velhos hábitos da minha adolescência que sempre me fizeram muito bem e que acabei negando por um motivo ou outro. Vamos à lista:

1) Desenhar

No ano passado, tentei retomar meus estudos de desenho (vocês podem ver minhas tentativas neste post aqui), mas não consegui levar a coisa pra frente. É preciso muita persistência para seguir adiante com algo que você parou de praticar há muito, muito tempo.
Além da vontade absurda de voltar a desenhar pela fruição, também tem o fato de que estou me formando em Design Gráfico e, ainda que não seja necessário ser o verdadeiro desenhista no curso, é bom saber pelo menos um pouco de técnica para elaborar seus projetos. Logo, uma coisa puxa a outra. No mês que vem, por causa de toda essa necessidade, irei começar aulas particulares com um amigo querido. Para me entusiasmar, comprei inclusive um sketchbook pura lindeza com a Blenda (fofa!) Furtado! Recomendo bastante o trabalho dela, que é de uma qualidade inegável (e você pode ver aqui).

2) Ver animes

Admito: fui uma pré-adolescente e adolescente muito, mas MUITO otaku (ou otome. Sei lá qual é a classificação agora). Mas quando chegou o terceiro ano… Nem preciso continuar, né?
O bom dos animes é que, mesmo existindo aqueles com temporadas que parecem intermináveis (beijos, Naruto), eles têm uma curta duração e dá para ver tranquilamente. Além do que, é uma forma ótima de matar a saudade de 2006, quando minha única preocupação era por em dia toda a lista de animes que eu montava no pc.

3) Webdesign

Não sei se muitos aqui sabem, mas eu tenho um curso completo de Webdesign no SENAC. Fiz o curso em 2010, quando ainda cursava Licenciatura em Artes Visuais no IFCE. Sempre fui apaixonada por blogs e não demorou muito para que eu quisesse fazer meus próprios layouts. Eu adorava montar códigos e passava a maior parte do tempo quebrando a cabeça com isso. Lutar com o PHP foi uma das maiores batalhas, mas extremamente recompensadora. Quase pus a casa abaixo quando finalmente aprendi a carregar os arquivos no FTP.
E mais uma vez: é importante para a minha área que eu tenha domínio da coisa. Além de me divertir quebrando denovo a cabeça com HTML, CSS e PHP, vou agregar mais um saber ao meu currículo. Olha aí o agradável se unindo ao útil!

4) Seriados

Dispensa comentários, né?

5) Fotografar minhas Pullips

Tá aí outra coisa que eu negligenciei totalmente: as minhas bonecas. O que foi bastante errado da minha parte, por sinal. Eu me divertia muito fotografando minhas Pullips e criando histórias sobre a vida de plástico delas. Era super terapêutico. Tá na hora de retomar o hábito.

6) Estar com os amigos

Acredito que esse, de todos os itens citados, é o mais importante. Infelizmente, a vida de gente grande não me permite ver meus amigos com a frequência que desejo, mas Whatsapp está aí para isso, né? Então o “estar com os amigos” não significa necessariamente estar presente de corpo, mas presente de alguma forma, ainda que seja por vias eletrônicas. Afinal, o que seria de nós sem as amizades verdadeiras, não é mesmo?

Talvez vocês estranhem o fato de “escrever” não estar nesta lista. E, de fato, escrever não caberia aqui, pois preciso me redescobrir como contadora de histórias. Os últimos três anos, ainda que tenham me feito escrever mais um livro com começo, meio e fim, foram de completa confusão. Às vezes, é necessário avaliar o que se está fazendo para descobrir o que há de errado. Minha relação com a escrita está tumultuada, e eu preciso parar para ver o que saiu dos eixos – e fazer coisas diferentes dessa é uma ótima forma de se reinventar. Portanto, “escrever” entraria em um outro tópico – mais longo e mais reflexivo.

E essas são as minhas alternativas para manter baixas as minhas taxas de estresse. Me digam agora: o que vocês fazem para não surtar? Estou curiosa!
Obrigada a todos! Até breve!

Crônicas, Diario, Literatura, Livros

[Diário] O ato (nada) glamouroso de escrever

(Imagem pega aqui)

O sentido de eu escrever sempre me vem à cabeça. “Por que eu escrevo?”; “Por que eu me sinto tão bem amontoado uma série de palavras, reunindo uma série de frases, criando uma série de parágrafos?”;”Por que gosto tanto de preencher cadernos e mais cadernos com fichas de personagens, com plots e mais plots?”. São perguntas que me atingem quase como: “qual o sentido da vida”? Sempre rola, não dá para evitar.  É do ser humano procurar dar sentido às coisas; e é de mim a buscar a motivação para eu fazer o que faço (o que no futuro pode me gerar arrependimento e culpa, mas eu me torturo da mesma forma).
De volta às minhas questões pessoais, a minha resposta é sempre a mesma: porque eu gosto. Ponto. Nem mais e nem menos. Eu só gosto de contar histórias e de preencher cadernos com a minha letra feia e garranchada – e faço isso há tanto tempo que já virou algo inerente ao meu dia a dia. Já se enraizou.
Mas não é dessa forma que as pessoas pensam sobre mim e meu ato de escrever. O fato é que nada me deixa mais nervosa/constrangida quando me perguntam: “e os livros”? Dá para ver o brilho no olhar da pessoa no momento, como se eu fosse uma espécie de Megan Foxx nordestina, super ultra e mega famosa. Como se fosse alguém inatingível, incomum ao dia a dia como uma estrela hollywoodiana. E, gente, a coisa não funciona assim. Nunca funcionou.
Eu não me sinto uma pessoa especial, anormal, ou qualquer coisa que me destaque de uma maneira glamourosa apenas porque escrevo umas histórias aqui e acolá. Nunca me senti assim e nem acredito que eu me sentirei algum dia. É uma coisa tão absurda para mim que chega a me fazer pensar: “devo me sentir a diva de salto quinze por que respiro”? Escrever, para mim, sempre foi algo natural, quase como respirar. Ninguém me forçou a sentar em frente a um caderno, ainda criança, e a organizar em palavras metade das histórias que eu criava quando brincava de boneca. Desenvolvi isso porque era a minha maneira de passar o tempo, já que não tenho irmãos e não tinha muitos amiguinhos com quem brincar na infância. A brincadeira virou hábito, e o hábito prossegue até hoje.


Também não sei dizer se consigo me considerar “escritora”. Pessoalmente, a palavra “escritor” me chega aos ouvidos quase como se fosse um título de nobreza. As pessoas falam de mim como escritora como se eu fosse a estrela máxima da Via Láctea. De uma forma ou de outra, isso me deixa um pouco incomodada porque jamais me vi num pedestal por ter dois livros publicados, embora não me sinta menos orgulhosa da minha do meu trabalho. Eu só resolvi externalizar as histórias que cresceram dentro de mim e compartilhar com uma série de pessoas – conhecidas ou não.
Já ouvi e li pessoas do meio falando que não é escritor quem não escreve todos os dias, e isso não só me perturbou bastante como também me fez escrever um post enorme refletindo sobre isso (você pode ler aqui). Eu não vivo de escrita, embora a escrita me ajude a pagar umas contas no início de cada mês e eu lute bastante para receber pelo meu trabalho. Eu não escrevo os meus livros – ou projetos para livros – diariamente porque não tenho uma boa relação com a minha criatividade. Mas eu gosto de fazer isso, ainda que seja um hábito que se pronuncie uma vez aqui, uma vez acolá. E se minha falta de rotina me torna menos escritora e, portanto, menos glamourosa, por favor: troquem o título usado para mim.
Eu conto histórias e não me incomodo nem um pouco de ser chamada de “contadora”. Pode não haver muito de glamour nessa nomeação, mas há muito de magia – e eu acho que está perfeito dessa forma.

Diario, Pessoal, Tag

[Tag] Conhecendo melhor a blogueira

(eu, vestida e maquiada à anos 20 para um trabalho da faculdade)

Eu tava aqui, de boas na lagoa, acessando o blog da  Juliana Rabelo quando percebo que ela me marcou em uma tag (!). O negócio funciona assim: vou falar onze fatos sobre mim, responder onze perguntas que a Juh fez para mim e indicar mais onze blogs para responderem minhas onze perguntas (eita má!). Vamos lá?

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Diario, Festas de fim de ano, Literatura, Livros, Novidades, Os Olhos de Ravena, Outubro, Yume

[Livros] Vai ter Outubro, sim! – Um balanço sobre 2014 e planos para 2015.

 

Não é de se admirar que 2014 tenha sido um ano turbulento para mim. Quem me acompanha no Facebook possivelmente viu meus surtos e minhas preces para que os ambos os semestres acabassem – afinal, retornei às Letras nessa segunda metade de 2014 e estava cursando as duas faculdades simultaneamente. Minha vida inteira se voltou para as minhas obrigações acadêmicas: trabalhos, seminários, provas… E não, não consegui conciliar blog, vida literária e vida estudantil. De uma forma ou de outra, eu sempre opto pela faculdade. Meus estudos sempre virão em primeiro lugar.
Mas não, não estou escrevendo esse post para falar sobre todas as noites que madruguei minha vida estudantil, e sim sobre um panorama do que foi 2014 e do que será 2015. Fazendo um balanço geral, não consegui atingir todas as minhas metas literárias nesse ano. Pretendia relançar Yume – não rolou. Pretendia fazer a segunda edição de Outubro pela Create Space – não deu certo, já que não consegui me entender com o sistema e ele sairia mais caro para mim. Minha maior vitória (e objetivo alcançado!) foi ter concluído Os Olhos de Ravena – que, no atual momento, está aguardando pacientemente sua vez de ser revisado. Fora isso, 2014 foi um ano sem muitas novidades literárias. Mas, pela forma como as coisas estão caminhando, 2015 será diferente. Bem diferente.
Para começo de história: Outubro vai ser relançado, sim! Em março de 2015, iniciarei as vendas do livro aqui no blog e, possivelmente, ele só poderá ser comprado diretamente comigo e por aqui (postarei mais informações em fevereiro, fiquem tranquilos). A capa nova e a diagramação (que se mantém a mesma da edição anterior) ficaram a cargo da Marina Avila. A laminação do livro será fosca e ele irá sem orelhas, no tamanho 16×23! A primeira tiragem será pequena, de apenas cinquenta livros, então fiquem atentos para não perderem o seu exemplar! :)
Sobre Yume, o futuro do livro ainda está sendo traçado. Acredito que vocês tenham percebido que ele está fora da Amazon há alguns meses, mas acreditem: não foi sem razão. Yume ainda será lançado pela Wish, mesmo que, no momento, não possamos prever uma data. Temos muitos planos bacanas, porém estamos nos organizando com calma para tornar cada uma dessas ideias em material palpável! Não percam os próximos episódios!
Sobre Os Olhos de Ravena, estarei o revisando durante 2015 (se der certo, ainda nessas férias)! Minha pretensão é ter o livro pronto até metade do ano, mas não posso dizer mais nada além disso. Meu objetivo, como deu para perceber, é trazer meus dois primeiros trabalhos para o mercado mais uma vez. Peço calma, apenas, que um dia esse livro sai <3
E no mais, preparem-se, porque eu e a Juliana Rabelo tentaremos conquistar o mundo também em 2015!  Ainda nessa semana, iremos nos reunir para matar a saudade e comer pão de queijo <3 decidir alguns projetos que deverão vir à tona ainda em janeiro. Tem muita coisa boa, galera!

(é assim que os pedidos de casamento acontecem…)

É basicamente isso que eu gostaria de passar a vocês. Estou trabalhando para tornar real cada uma dessas metas. Vamos torcer para que tudo dê certo! :)

Cotidiano, Crônicas, Diario

[Diário] Multifacetada

Não lembro em qual momento da minha vida declarei para a minha mãe que eu gostaria de ter uma dupla formação acadêmica. Também não lembro em qual instante desisti dessa ideia porque ela parecia completamente inviável (se não me engano, foi no terceiro ano do ensino médio. Já perceberam que esse período foi um mar revolto para mim, não?) Minha mãe me apoiava, porém. Ela enchia o peito de orgulho quando eu mostrava a infinidade de assuntos pelos quais me interessava. Eu gostava de moda, de design, de história, de línguas e literaturas. Era uma adolescente que se identificava com várias áreas que, por uma graça quase divina, conseguiam se interligar.
Estou no início da minha vida adulta e percebo que nada, absolutamente nada, mudou.
Passei dois anos cursando Letras Português com aquela sensação de vazio. Eu me sentia infeliz, embora adorasse acordar cedo para ir numa aula de Teoria da Literatura, Literatura Portuguesa ou Literatura Brasileira. Sempre gostei de estar cercada de livros e xérox (embora, assumo, eu sempre me desesperasse com a quantidade infinita de coisas para ler), mas não era o suficiente. Eu conversava com outras pessoas, via a felicidade e a realização delas em seus caminhos e pensava: “o que está faltando para mim?”, “por que não sou feliz assim, mesmo em um lugar com o qual me identifico?”. Passei por um momento de crise existencial, daqueles tipos que costumam assolar jovens que dão os primeiros passos no mundo nada glamoroso dos adultos. Assumi várias responsabilidades muito cedo e me bateu um desespero: “como vou dar conta de tanta coisa estando tão vazia e tão sem perspectivas?”
Hoje entendo o meu problema – ou solução. Sou multifacetada.
Entrar no design foi uma realização sem medidas para mim. Assumir minha dupla paixão por linguagem verbal e visual retirou um peso de uma tonelada das minhas costas. Percebi que não nasci para ser designada a uma função apenas, que gosto (e tenho orgulho) de fazer de tudo um pouco. Me realizo escrevendo, lendo, revisando, assim como trabalhando no Photoshop, no Illustrator, no Indesign. Amo livros, amo projetos gráficos, editoração, websites, literatura. Às vezes é complicado assumir tantas responsabilidades, casar áreas que, a uma primeira olhada, parecem divergentes, mas jamais senti uma felicidade tão completa. E esse sentimento de completude cresce quando encontro relatos de pessoas que tomaram decisões similares e não se definiram em apenas uma função (quer exemplo maior que os renascentistas, que tinham habilidades em várias áreas?)
Não tenho problemas em assumir que não sou unicamente escritora, estudante, aprendiz de designer ou dona de casa que dá os primeiros passos. Não pretendo, também, me prender apenas a uma área ao longo da minha vida. Sou composta de pequenas peças de cores variadas e me orgulho disso. Vez ou outra, encontro alguém que torce o nariz para minhas decisões – afinal, somos acostumados a ver pessoas seguindo apenas um caminho, usando antolhos imaginários e não se permitindo ousar, testar outras possibilidades. Em algum momento da história humana, podamos essa chance de sermos multi. Não perdermos essa oportunidade, porém. Podemos assumir essa variedade de faces, essas paixões avassaladoras. O que falta é apenas se permitir, arrancar de si as amarras que o cotidiano acelerado da vida moderna nos impôs.
Eu não me arrependo de ter me libertado. E nem imagino que venha me arrepender algum dia.

Diario, Livros

[Diário] Supercalifragilisticexpialidocious!


 

Ok, shame on me. Desapareci por mais de um mês (tempo esse que envolveu pés torcidos, trabalhos/provas da faculdade, serviços na bolsa, estudos, visitas à Nárnia…) novamente. Às vezes é um pouco complicado conciliar tantas atividades em tantos rumos diferentes, mas a gente vai levando de pouquinho em pouquinho. É, é isso aí.
Tenho algumas novidades, porém (e boas, para compensar meu período de reclusão espiritual em outras dimensões). Vamos a elas.

1 – A edição física de Outubro vai sair!  

Eu já disse que a Amazon é uma linda? Se sim, posso repetir?
A Amazon possui uma plataforma de impressão chamada Creative Space. Quem me informou sobre ela foi a Josy Stoque (coloque aqui uma série de agradecimentos infinitos e muito, muito amor), e não demorei muito para criar a minha conta por lá. Agora, só falta a Marina Avila concluir a capa para eu mandar rodar a segunda edição impressa de Outubro . A previsão é de que eu tenha algum material até a metade do próximo mês, então aguardem um pouquinho para que eu divulgue preços e formas de compra.

2 – Yume terá uma nova capa!


Sei que a capa de Yume é bastante característica, mas, para começar essa nova fase, eu e a Marina resolvemos mudar a cara do livro. Dessa vez, a capa será ilustrada pelo talentoso Breno Macedo (para conhecer os trabalhos dele, é só clicar no nome). Estamos bastante entusiasmadas, e espero soltar a versão definitiva no próximo mês (já deu para perceber que junho será um período bastante badalado?)
A versão física de Yume ainda não tem previsão para sair, mas fiquem de olho que, em breve, a Wish estará soltando boas novas a respeito.

3 – (Re)Comecei a segunda parte de Os Olhos de Ravena!

Quem me acompanha via Facebook deve ter visto que, no final do ano passado, eu estava surtando de felicidade porque havia concluído a primeira parte do livro. No início desse mês, depois de ter me desfeito de ~~40 páginas~~ posso dizer com propriedade que comecei a segunda parte. A produção está um pouco lenta por causa dos meus afazeres acadêmicos e da montagem do meu portfólio, mas a previsão (ou deadline, como prefiro chamar) é de terminar o livro até o final de 2014.

Por enquanto, são apenas essas as boas novas que trago. Fiquem atentos às próximas!

(OBS: o título é realmente um paliativo para a minha falta de criatividade em pensar em algo para abrir o post. E também porque vi Mary Poppins pela primeira vez na semana passada e estou viciada nessa música).

 

Diario, Rotaroots

[Rotaroots] Uma carta para meu eu de dez anos atrás

Ah, dona Kamile, que saudades da senhora. Mas, espere? Te chamo de Kamile, Makoto ou Kamile Lin? São tantos nomes e nicks que nem ao menos sei qual escolher.
Você me faz falta. Sinto falta dos seu andar saltitante, que as pessoas costumavam interpretar como uma criancice sem tamanho – o que, convenhamos, é o seu direito. Você tem onze anos. Você ainda é uma criança e, como tal, pode pular, correr, brincar de boneca. Ninguém deve te recriminar por aproveitar o melhor da sua vida ou mesmo te reprimir. Ter curvas formadas não significa avançar a idade e pular etapas. Que olhem, que recriminem, que riam, mas continue curtindo a sua infância – ela é rápida e a vida adulta não tem tanto brilho quanto seus coleguinhas acham que tem.
Saudades da sua ingenuidade e pureza, dos finais de semana que sua mãe te deixava curtir a internet discada por uma horinha. Lembro que você adorava aqueles sites de doll maker e, mais ainda, gostava de salvar fotos dos seus animes favoritos e de Harry Potter. Não que elas servissem para muita coisa, mas pelo menos alimentavam a sua fantasia. E as fanfics de Sailor Moon que você adorava ler? Me recordo que sua maior raiva foi ter lido uma perfeita, porém sem final. Que chato, heim?
Lembro perfeitamente bem que você se interessava pela blogosfera, dava seus primeiros passos, criava seus primeiros blogs. Admito que para uma garota acostumada a redigir páginas e mais páginas de diários à mão, montar um “diário virtual” foi uma atitude bastante ousada (sinceramente, agradeço por você ter feito isso).
Ah, e as tardes em que você se deitava naquela rede e ficava assistindo aos clipes da TV União? Você era fã da Avril Lavigne e do Evanescence. Adorava Broken, do Seether com a Amy Lee; I Miss You Love, do Silverchair; The Reason, do Hoobastank, Unwell, do Matchbox Twenty, I Miss You, do Blink 182. E, obviamente, não posso esquecer que você surtava quando era hora de assistir a Tenchi Muyo e Cavaleiros do Zodíaco, na Band. Não perdia um episódio (e gostava de acompanhar com uma cocada na mão).
As revistasWitch ainda estão aqui, ensacadas e guardadas com todo o carinho – você as amava e transferiu esse amor para mim. O mesmo não posso dizer dos brindes – alguns quebraram, outros se perderam.  Porém, a bolsinha verde (lembra em qual edição ela veio?) com as cartinhas de Saint Seiya continuam intactas, não se preocupe. E, obviamente, os cadernos com as suas historinhas. Tenho todos ainda. Só tenho uma coisa a reclamar: você poderia ter concluído aquela história dos alienígenas, né? Eu adorava – e posso dizer de peito aberto que era a minha favorita.
Sinto muito se não me tornei a estilista que você sonhou ou se não abri a sua confecção, ou mesmo se deixei sua paixão por desenhar morrer por algum tempo. Os planos mudaram no meio do caminho. Perder a vergonha de mostrar seus textos foi uma boa ideia, sabia? E se apaixonar por aquele mundo de blogs, de diários expostos na internet foi melhor ainda.
Queria poder te abraçar.
Com amor,
sua eu de vinte e um anos.

(obs – o quão chateada você ficaria comigo se eu admitisse que perdi aquela redação de quatro páginas que você escreveu?)

 

 

Esse post foi incentivado pelo Rotaroots. Os créditos da ideia vão para o Hypeness.