Browsing Category

Literatura Nacional

Cotidiano, Crônicas, Literatura, Literatura Nacional, Livros, Os Olhos de Ravena, Outubro, Yume

[Literatura] Porque desperdiço meu “talento” escrevendo livro Malhação: e porque eu gosto tanto

71017d5b10ced5048b1d6d280f80ac34

(A Pequena Sereia, por Arthur Rackham)

Recentemente, estava eu conversando com uma pessoa querida sobre literatura – saliento que eu gosto bastante de conversar com esse amigo sobre livros, pois temos gostos relativamente parecidos  e isso gera boas discussões. Eis que, durante um momento acalorado da conversa, surge a seguinte afirmação por parte dele:

“Não sei porque você desperdiça seu talento escrevendo livro Malhação”

Minha primeira reação foi ficar calada, meio surpresa, meio espantada, meio sem saber como reagir. Não é de hoje que eu sei que meu amigo não aprecia literatura voltada para jovens, então não fiquei tão abismada pela afirmação. A questão aqui é que eu não entendi se isso foi um elogio, uma crítica ou uma desvalorização federal ao meu trabalho. Só sei que sorri de forma amarelada e continuei conversando sobre outros assuntos, evitando voltar o foco da conversa para mim.
Mas o fato é que isso me fez pensar. E ao invés de me sentir elogiada por ser considerada talentosa, me senti extremamente ofendida. Triste até, porque jamais me senti desperdiçando tempo por dedicar minhas duas publicações (incluindo a terceira que está por vir) a um público adolescente. Não fiquei com raiva do meu amigo porque eu respeito a sua opinião, porém é inevitável não se sentir mal por isso.
Foi então que eu resolvi dissertar um pouco sobre o assunto – e explicar porque eu dedico minha escrita a uma faixa etária que é tão desprezada.
Vamos começar pelo ponto que: não acredito em talento nato. Se tem uma coisa que a faculdade de Design me ensinou é que talento é algo pífio se você tiver predisposição e boa vontade. Se você gosta de escrever, escreva. Se gosta de desenhar, desenhe. Existirá um momento em que a prática intensa e o estudo vão te tornar um artista melhor. Mas se você faz tudo isso com maestria desde os três anos de idade, só posso te dar os parabéns e afirmar que você é um caso entre mil. Para a maioria das pessoas, a coisa só funciona com muito esforço.
Por isso, eu não me considero exatamente talentosa – me considero muito, muito esforçada. Há quem diga que eu sou boa escritora, mas, se pegarem os cadernos em que eu escrevia minhas histórias de bruxas e alienígenas com onze anos, com certeza iriam querer chorar.  Logo, não nasci como a Kamile de 22 anos: eu pratiquei muito para chegar no meu nível atual e levei anos para isso.
Salientado isso, vamos ao segundo ponto: não tenho o menor interesse em ser escritora academicista. Admiro quem escreve pela paixão à linguagem e se empenha em fazer construções lexicais extremamente bonitas, prezando muito mais pela linguagem do que pela história em si. São textos bonitos de se ler e eu gosto bastante de alguns, mas não esperem que eu reproduza isso – e simplesmente porque não me interessa. Posso ler e gostar de trabalhos que sigam essa linha, porém não é meu estilo e não será algo que farei. É como gosto musical: não me esperem me encontrar num show de forró ou num baile funk, assim como não esperem que eu lance um livro que será aclamado como obra prima pelos acadêmicos. Não tenho a menor vontade.
Terceiro ponto: livros com temática infanto-juvenil e juvenil são extremamente importantes para o crescimento do leitor. Você pode até não gostar de livros direcionados para essa faixa etária e ter começado suas leituras com Dostoiévski, mas nem todo mundo é como você. Tenho uma amiga que perdeu o prazer pela leitura quando a escola a obrigou a ler clássicos literários sem antes prepará-la como leitora para essas obras, mais ou menos quando ela tinha treze anos de idade. Fico me perguntando se, caso ela tivesse continuado a ler os livros do Pedro Bandeira e da Giselda Laporta Nicolelis – dois autores que nós líamos muito, isso teria acontecido.
O leitor que está amadurecendo precisa de livros que conversem com a sua faixa etária, que possam despertar o prazer da leitura para, futuramente, ele conseguir ler os clássicos sem sofrimento e apreciando o que está lendo. E se ninguém se propuser a escrever para esses jovens, quem o fará? Quem vai mostrar a um adolescente que ler é tão legal quanto ir a um cinema? Quem vai poder mostrar a essa garotada heróis que passam pelas mesmas dúvidas e transformações da adolescência? E outra: será que trabalhos de grandes escritores juvenis têm menos qualidade literária por serem direcionados a um público jovem? Será que devemos desprezar o que C.S. Lewis, J. K. Rowlling, Pedro Bandeira, Paula Pimenta, Rick Riordan, John Green e Babi Dewet fizeram porque eles são para pré-adolescentes e adolescentes? Eu acredito que não.
Dito isso, entro no meu último ponto: eu gosto MUITO de trabalhar com adolescentes. E essa é uma das principais questões a meu ver. Eu gosto de ver minhas priminhas de doze e onze anos falando que querem ler meus livros, interessadas pelo assunto deles. Eu gosto de quando a irmã mais nova de uma das minhas melhores amigas fala para mim que gostou tanto de Outubro quanto de Yume e fica super feliz em conversar sobre livros comigo. E um dos momentos mais emocionantes para mim como escritora foi conversar com minha leitora de dezoito anos e ver que ela ficou feliz por me encontrar – e que havia amado Yume. Essas são coisas que aquecem o meu coração e que me fazem sentir que meu trabalho valeu algo, sim.
É uma escolha minha “desperdiçar meu talento com adolescentes”. Não que isso implique que tudo que eu produzir será direcionado para esse público – até porque, como escritora e amante da linguagem, gosto sempre de me explorar e descobrir até onde posso ir -, mas eu escolhi conversar com esses meninos através dos meus livros, poder incentivá-los à leitura da mesma forma que fizeram comigo quando eu tinha a idade deles. Posso não ser a mestra nas construções sintáticas ou uma pessoa que será aclamada pela academia, porém, desde que comecei a escrever, jamais pensei em ser elogiada como uma nova Machado de Assis: eu gosto de contar histórias e isso é tudo.  E enquanto eu tiver pessoas ao meu redor, materializadas no papel e prontas para ouvir o que tenho a dizer, continuarei contando minhas histórias – com teor de Malhação ou não.

Lançamentos, Literatura Nacional, Livros

[Literatura] Release do lançamento da zine “eu não me movo de mim”, Editora Substânsia

Galera de Fortaleza, nesta terça-feira, 24, vai ter lançamento da Editora Substânsia, super queridinha daqui do blog <3 Então, se você estiver de boa na lagoa nessa terça à noite, que tal dar um pulinho lá no Benfica para conferir essa lindeza? Dá uma olhada aqui como o negócio é do babado:

 

Uma ferida aberta transbordando os danos da ausência e do desejo através do traço de Jéssica Gabrielle Lima e da escrita de Elvis Freire, que também se apropria de outras linguagens como a decupagem. A obra, primeiro do selo Sóis, faz da literatura uma provocação. O título nasceu pela inspiração de um livro da escritora Hilda Hilst, Tu não te moves de ti. A primeira nota dessa sinfonia se desenrola pelo traço delicado, porém certeiro, da artista visual Jéssica Gabrielle e pelas palavras, parecendo flechas disparadas pelo arco, do escritor Elvis Freire. Esse título é a chave que abre as portas do mundo dos Zines para a Editora Substânsia, também organizado por Jéssica Gabrielle.
Lançamento Dia 24 de Março, às 19:00h no Brechó Literário Rimbaud, Rua Aratuba C/13 de Maio – Benfica, Fortaleza-CE.

 

SOBRE ZINES

O zine é uma mídia independente, alternativa e, muitas vezes, despretensiosa. Geralmente, publicado com pouco recurso financeiro e sem refinamento estético, o zine é, desde a década de 1930, um grande movimentador de ideias. Hoje, embora as mídias digitais tenham predominância, a possibilidade de ter em mãos um objeto artístico e raro – já que a tiragem é quase sempre limitada – causa um sentimento inexplicável para quem é admirador desse tipo de publicação.

SOBRE O SELO SÓIS

A proposta do selo é publicar zines de diversos autores, em edição limitada de 100 exemplares e com acabamento semi-artesanal. O selo será organizado pela artista visual Jéssica Gabrielle, que produz zines e também ministra oficinas sobre o assunto.

SOBRE O LANÇAMENTO
O Lançamento acontece no Brechó Literário Rimbaud, que fica na rua Aratuba c/ 13 de Maio, no Bairro do Benfica, O brechó fica na altura do IFCE na 13 de Maio, um espaço onde é possível comprar livros usados e livros novos de escritores e editoras independente, no espaço do Brechó também acontece eventos e saraus como o “Poesia de Leve no Rimbaund” e os encontros do “Grupo de estudos em Balzac”.

SOBRE OS AUTORES

Jéssica Gabrielle, 23 anos, é ilustradora, revisora de textos e formanda em Letras (UFC), mas sempre se sentiu orbitando em outro eixo. Desenvolve trabalhos como arte-educadora utilizando diversas linguagens artísticas, além de realizar trabalho com mídias alternativas. Atualmente, trabalha com ilustração freelancer e publica no blog meu esquetibuqui. Participou do 1º Ilustra Porto, exposição de alunos e ex-alunos do Porto Iracema das Artes – Escola de Formação e Criação do Ceará, em 2014.


Elvis Freire tem 22 anos, faz mestrado em Literatura (UFC), adora conversar sobre arte, é tradutor de italiano, escreve contos e confessa secretamente em caderninhos tratados sobre paixão e suas fugas.

SOBRE A EDITORA
A Editora Substânsia foi criada com o intuito de publicar livros de autores contemporâneos, dos mais variados gêneros, e perspectivar novas condições de diálogo entre os criadores brasileiros das mais variadas artes, abrindo novas possibilidades no mercado editorial brasileiro. Criada a partir da união de três profissionais das Letras – Nathan Matos, Madjer Pontes e Talles Azigon – a Editora já publicou 9 títulos e está presente sempre em atividades e eventos literários na cidade de Fortaleza. http://www.editorasubstansia.com.br

SERVIÇOS
Lançamento do Zine “Eu não me movo de mim”, de Jéssica Gabrielle e Elvis Freire
Quando: 24 de Março, as 19h
Onde: Rua Aratuba C/ 13 de Maio. Benfica, Fortaleza-CE
Valor: R$ 12,00
Número de Páginas: 36 páginas, acabamento artesanal
Editora: Substânsia

MAIS INFORMAÇÕES
Através do e-mail editorasubstansia@gmail.com
Telefones (85) 86437120 ou 99134651 – Talles Azigon (Editor|Produtor)
http://www.editorasubstansia.com.br/

 

E aí? Vamos: sim, claro ou com certeza? :)