Browsing Category

Resenhas

Literatura, Livros, Resenhas

[Resenha] Golem e o Gênio – Helene Wecker

gg3

Golem e o Gênio (DarkSide, 2015), como o próprio título denuncia, narra a história dessas duas criaturas mágicas que se encontram ao acaso numa Nova York do início do século XX. De um lado, temos Chava, a Golem, uma mulher feita de barro que foi criada para ser a esposa de um jovem alemão que está tentando a sorte na América. No entanto, após um determinado acontecimento, a Golem aporta sozinha nos Estados Unidos, sem ter a quem recorrer.

Do outro lado, temos Amhad, o gênio, essa criatura de fogo e espírito livre que, depois de mil anos preso dentro de um jarro de azeite, se vê livre na América dos anos 1890. Libertado por um latoeiro, o gênio se vê trancafiado em sua forma humana, sem qualquer chance de se libertar ou memórias que possam lhe explicar o que aconteceu.

Continue Reading

Mangás, Quadrinhos, Resenhas

[Resenha] Vitamin – Keiko Suenobu

1

Definitivamente, Vitamin (Editora JBC, 2015) será um mangá que levarei um bom tempo para me desapegar, carregando comigo todas as impressões que ele me trouxe. Asseguro isso porque, mesmo após o fim das 185 páginas que contam a história de Sawako, reabri minha edição para reler trechos, analisar os desenhos, confirmar que aquilo havia, de fato, acontecido. E esse exercício foi tão doloroso quanto ler o enredo pela primeira vez.
Em Vitamin, conhecemos a Sawako, essa estudante de 15 anos prestes a fazer um vestibulinho, que a garantirá entrar num bom colegial japonês. No início do mangá, Sawako é a típica personagem de aventura shoujo: uma garota submissa, sem muitas características que a destaquem e que tenta agradar todo mundo, menos ela mesma. Isso se torna ainda mais claro quando, contra sua vontade, a menina aceita transar com o namorado em sala de aula e é surpreendida por um colega de sala. É aí que o inferno na vida da nossa protagonista começa.

Continue Reading

Quadrinhos, Resenhas

[Quadrinhos] Pânico no José Walter – O maníaco que seviciava mulheres – Talles Rodrigues

SAM_0248

A primeira vez que escutei falar sobre Pânico no José Walter – O Maníaco que Seviciava Mulheres (Independente, 2014), foi através da Juliana Rabelo, minha amiga, que divulgou o projeto através do Facebook. Na época, o Talles estava arrecadando fundos pelo Catarse (uma plataforma de crowdfunding que merece ser conferida!) para a publicação e não pensei muito em ajudá-lo na sua empreitada, mas, por um distúrbio na força, não consegui pagar a tempo. Não participei da arrecadação, mas, para mim, era impossível deixar de conferir o trabalho de um quadrinista que aborda uma das lendas urbanas mais famosas da nossa terrinha.

SAM_0249

Explicando o contexto geral do trabalho e da história: para quem não sabe, Pânico no José Walter surgiu como o TCC do Talles Rodrigues, que estava se formando em jornalismo pela Universidade Federal do Ceará.  Logo, o quadrinho é uma forma de reportagem investigativa sobre um caso criminoso que deixou Fortaleza – principalmente o bairro José Walter – de cabelos em pé no final da década de 80. O maníaco em questão é o Cortabundas – um rapaz que entrava de madrugada na casa  de várias idades e cortava com navalha suas nádegas. A série de ataques durou por volta de dois anos e, até hoje, há controvérsias a respeito da autoria dos crimes. A história acabou se tornando uma lenda urbana do imaginário cearense, mas, segundo Talles, estava começando a cair no esquecimento coletivo.

SAM_0253

O livro é muito, muito bom. O desenho de Talles não é cheio de detalhes, mas é muito bonitinho. Lembra os traços de Bryan Lee O’Malley, autor de Scott Pilgrim, e os desenhos da Cartoon Network e, em alguns momentos, ganha traços típicos dos mangás – o próprio autor assumiu que é fã da cultura japonesa e que, quando adolescente, foi otaku.  É legal salientar que Talles se retrata nos quadrinhos, narrando suas andanças atrás de material para o TCC, e isso cria um elo de intimidade entre o leitor e o autor. Você ri do desespero do rapaz, da sua timidez na hora de entrar em contato com seus entrevistados, e acaba se sentindo vitorioso por ele ter alcançado os seus objetivos. Outra coisa muito bacana foi que o Talles manteve o nosso jeito “cearês” de falar. Eu não consegui reprimir o sorriso ao ver as personagens falando coloquialmente, e isso foi outro fato de aproximação entre público e criador.

SAM_0255

A respeito do Cortabundas, não posso falar muitas coisas, pois, senão, entrego pontas importantes. Apenas saliento que não conseguirei mais enxergar o José Walter da mesma forma – e, assumo, houve momentos em que fiquei bastante assustada lendo. Já imaginou ser vítima de um desconhecido que entra na sua casa para… cortar suas nádegas? E viver numa sensação de insegurança, de pânico e paranoia (não que hoje estejamos muito diferentes, mas…)?

Pânico no José Walter – O maníaco que seviciava mulheres é leitura indicadíssima – tanto para as pessoas da terrinha quanto para os de fora. Vocês não se arrependerão de ter esse material em mãos – vale muito a pena!
Muito orgulho de você, Talles! Parabéns pelo excelente trabalho!

Literatura, Livros, Resenhas

[Resenha] Bling Ring: A gangue de Hollywood – Nancy Jo Sales

Entre 2008 e 2009, as residências de Lindsay Lohan, Orlando Bloom, Paris Hilton e diversas outras celebridades foram invadidas e saqueadas. Os ladrões, um grupo de jovens criados em um endinheirado subúrbio de Los Angeles, levaram o equivalente a 3 milhões de dólares em joias, dinheiro e artigos de grife, como relógios Rolex, bolsas Louis Vuitton, perfumes Chanel e jaquetas Diane von Furstenberg. As notícias surpreendentes sobre o caso chocaram Hollywood e intrigaram o mundo. Por que esses garotos, que em nada correspondiam à tradicional imagem dos bandidos, realizaram crimes tão ousados?

A jornalista Nancy Jo Sales entrevistou todos os envolvidos, incluindo os pais e os advogados dos jovens, e até mesmo as celebridades que sofreram os assaltos. Em Bling Ring: a gangue de Hollywood, ela apresenta todos os detalhes de uma das quadrilhas mais audaciosas de nossos tempos. A história real também inspirou o filme de Sofia Coppola, estrelado por Emma Watson.

Demorei um pouco para escrever essa resenha por causa de compromissos e deveres acadêmicos. Faz algum tempo que li Bling Ring, a Gangue de Hollywood (Instrínseca, 2013), mas a leitura ainda está pulsante na minha cabeça, e o livro, cheio de marcações coloridas nas partes que mais mexeram comigo. É lendo um relato como o de Nancy Jo Sales que a gente percebe a mentalidade doentia da nossa sociedade, que a gente nota que as coisas estão fora dos eixos há muito tempo. Tenho uma tese de que já vivemos distopias profetizadas por autores como George Owell e Aldous Huxley – apenas não percebemos.
Mas não vou me antecipar. A história da Bling Ring é conhecida e não há surpresas ou spoilers em narrá-la aqui: seis jovens americanos de classe média alta assaltaram casas de celebridades de Hollywood (como Paris Hilton, Orlando Bloom e Lindsay Lohan) entre 2008 e 2009 (jovens que, na época, tinham quase a mesma idade que eu), à caça principalmente de roupas e acessórios de marca. Os furtos seguiam um padrão simples e chegava até a ser impressionante a demora para os garotos da quadrilha serem pegos. A grande questão, porém, não foi a genialidade criminosa dos adolescentes: por que aqueles meninos e meninas, que tinham uma boa condição financeira, estavam envolvidos em uma situação daquelas? O que os motivava a agir de tal forma?

Talvez, refleti, os jovens da Bling Ring sentissem que bastava entrar na casa das estrelas porque essas estrelas não emitiam mais brilho algum. Talvez a Bling Ring, apesar de toda a frivolidade, representasse o início de uma reviravolta no relacionamento que os Estados Unidos mantinham com as celebridades.

P. 92

Li muitas críticas negativas ao livro, e creio que a razão para isso foi o fato de que as pessoas não sabiam de que se tratava de um livro jornalístico. A despeito das considerações que me deparei (“livro chato”, “enfadonho”), considerei o trabalho de Jo Sales muito bem fundamentado e elaborado. A intenção do livro – que anteriormente foi um artigo para a revista Vanity Fair, The Suspects Wore Louboutins – não era apenas narrar o desenrolar de uma história sobre um crime, mas também compreender as razões – externas e internas – que levaram os garotos a roubarem pessoas ricas e famosas. Para tanto, Jo Sales faz abordagens sobre a história dos Estados Unidos, traça um perfil dos adolescentes americanos (suas pretensões, seus sonhos, suas referências), usa literatura para fundamentar suas teses e desenha um retrato da sociedade estadunidense. O resultado não é bonito e, o mais triste, não é exclusivo dos Estados Unidos. Afinal, é muito comum conhecermos pessoas obcecadas por fama, dinheiro, celebridades, realitys shows, que dão alma e sangue para obter os almejados quinze minutos de fama.
E é nesse contexto que encontramos os garotos da Bling Ring. Obcecados por festas, criados em Hollywood; eles idolatram estrelas, marcas, estilos.  Usando roupas de celebridades, eles ser sentiam como uma de fato. Trajando-se com Prada, Chanel, Victor Hugo e marcas afins, eles faziam parte de um estilo de vida cheio de glamour, alcançavam o desejo de serem tão altos e intocáveis quanto os famosos que admiravam. Os adolescentes são um retrato perfeito – e triste – da sociedade deturpada que se originou da busca incansável pela fama, pelo sucesso financeiro. Alguns (como Alexis Neiers, uma membro do grupo que, a meu ver, é a caricatura perfeita da pessoa desesperada para ser conhecida) conseguiram, inclusive, seu próprio reality show em meio a toda a polêmica do caso.

Quero me sentir como eles parecem ser – disse Rubenstein – e, se eu tiver o que eles têm, então serei um deles. Se puder vestir o que eles vestem, meus problemas vão desaparecer, meu sofrimento vai sumir…

P. 65

O livro é dividido em três partes, cada uma abordando o caso de uma maneira diferente. Na primeira, nos deparamos com uma visão geral sobre o crime e, principalmente, com o retrato dos integrantes da Bling Ring e com as análises que Nancy Jo Sales faz sobre o assunto. Foi a parte que mais me cativou e que tinha os melhores quotes. Na segunda, conhecemos melhor as vítimas dos assaltos e a forma como as invasões às casas e os roubos foram feitos (é importante salientar aqui a participação de Nick Prugo, já que, de todos os integrantes da Bling Ring, ele foi o único que se mostrou disposto a colaborar com a polícia e a confessar seus crimes). Na terceira e última, temos o desfecho com um relato sobre as investigações e o decorrer dos processos judiciais (como não gosto muito de leis, essa foi a parte que menos me atraiu). Ao fim do livro, temos uma vaga noção de como os garotos estão – se cumprem penas, o que fazem das suas vidas, coisas do gênero – e a reflexão: o que está acontecendo com os adolescentes dessa geração?
Bling Ring: a gangue de Hollywood é uma leitura que, embora complicada aos que não são acostumados com esse gênero, considero essencial e edificante. É o tipo de livro que vai te fazer enxergar de maneira mais clara as razões para que as pessoas sejam tão obcecadas pela fama, pelo passageiro e pelo fútil, e como isso é pernicioso para a convivência social e para a própria realização pessoal. Ao final da leitura, é praticamente impossível não se sentir enjoado com a atual deturpação de valores – a questão que fica, porém, é: conseguiremos mudar alguma coisa desse panorama ou seremos consumidos por ele?

Fiquem com o tema do filme de Sofia Coppola, baseado no livro:

Livros, Resenhas

[Resenha] Jogos Vorazes (a série) – Suzanne Collins

Feliz Jogos Vorazes! E que a sorte esteja sempre ao seu favor!

Jogos Vorazes, p. 26

Assumo que li a série Jogos Vorazes, da americana Suzanne Collins, tardiamente. O apetite pelos livros só surgiu após o filme, que, confesso, também lutei um pouco para assistir. Foi só após sair do cinema, completamente extasiada pelo longa, que corri atrás de conseguir os três volumes da série . Li todos, porém, apenas em agosto desse ano. Mas vamos ao que interessa.

Continue Reading

Livros, Resenhas

[Resenha] Jardim de Escuridão (Série Trilogia das Cartas), Bianca Carvalho

Todo dom pode ser uma bênção ou uma maldição… 

Quando Faith Connor recebe uma carta deixada por sua avó, após a morte da mesma, contendo um último pedido, ela não esperava que sua vida ganharia um rumo inesperado. Detentora de um dom especial de compreender as flores, cujos significados lhe fornecem visões de acontecimentos futuros, ela atende o pedido da avó, levando uma flor especial a seu túmulo e acaba conhecendo Rowan Allers, um homem atormentado pela morte da irmã, assassinada por um serial killer. Sentindo uma estranha conexão com aquela história, Faith o ajuda a investigar, sem nem saber que seus destinos estavam ligados de forma perigosa e até fatal.

 

 

Continue Reading

Literatura, Livros, Resenhas

[Resenha] O Teorema Katherine, John Green

Após seu mais recente e traumático pé na bunda – o décimo nono de sua ainda jovem vida, todos perpetrados por namoradas de nome Katherine – Colin Singleton resolve cair na estrada. Dirigindo o Rabecão de Satã, com seu caderninho de anotações no bolso e o melhor amigo no carona, o ex-criança prodígio, viciado em anagramas e PhD em levar o fora, descobre sua verdadeira missão: elaborar e comprovar o Teorema Fundamental da Previsibilidade das Katherines, que tornará possível antever, através da linguagem universal da matemática, o desfecho de qualquer relacionamento antes mesmo que as duas pessoas se conheçam.
Uma descoberta que vai entrar para a história, vai vingar séculos de injusta vantagem entre Terminantes e Terminados e, enfim, elevará Colin Singleton diretamente ao distinto posto de gênio da humanidade. Também, é claro, vai ajudá-lo a reconquistar sua garota. Ou, pelo menos, é isso o que ele espera.

Continue Reading

Resenhas

[Resenha] Lonely Hearts Club – Elizabeth Eulberg

Sinopse

Penny Lane Bloom cansou de tentar, cansou de ser magoada e decidiu: homens são o inimigo. Exceto, claro, os únicos quatro caras que nunca decepcionam uma garota — John, Paul, George e Ringo. E foi justamente nos Beatles que ela encontrou uma resposta à altura de sua indignação: Penny é fundadora e única afiliada do Lonely Hearts Club — o lugar certo para uma mulher que não precisa de namorados idiotas para ser feliz. Lá, ela sempre estará em primeiro lugar, e eles não são nem um pouco bem-vindos. O clube, é claro, vira o centro das atenções na escola McKinley. Penny, ao que tudo indica, não é a única aluna farta de ver as amigas mudarem completamente (quase sempre, para pior) só para agradar aos namorados, e de constatar que eles, na verdade, não estão nem aí. Agora, todas querem fazer parte do Lonely Hearts Club, e Penny é idolatrada por dezenas de meninas que não querem enxergar um namorado nem a quilômetros de distância. Jamais. Seja quem for. Mas será, realmente, que nenhum carinha vale a pena?

Penny Lane teve o seu coração partido de uma maneira nada legal. Ok, já não é legal ter o coração partido – da forma como o de Penny Lane foi quebrado, pior. Não era de se admirar que a garota, desiludida e magoada, tenha optado por nunca mais se apaixonar. O inusitado nessa história toda foi o fato de Penny, influenciada pela sua banda favorita, também ter criado o Lonely Hearts Club, um grupo em que ela é a única participante e cujo propósito é: não mais se relacionar com meninos até o término da escola.
Até aí, tudo bem. O problema começa quando  as amigas de Penny (que, por um acaso, também estão desiludidas com o amor) e a maior parte das meninas do colégio pedem permissão para integrar o grupo. A situação, como era de se esperar, fica caótica. Os meninos da Escola McKinley ficam abismado com a decisão da parte estudantil feminina de não mais namorar. O diretor entra em pane. Os pais de Penny Lane acham ótimo (porque acreditam que o clube é, na verdade, um fã clube dos Beatles). E Penny… Bom, Penny vai precisar lidar com outro problema além do seu grupo super-lotado: será que realmente todos os rapazes são uns trogloditas?
Lonely Heats Club é um livro extremamente divertido. As situações que tecem a história são cômicas; o pensamento generalizado das meninas magoadas me remete muito àquela coisa d’Os Batutinhas: “meninos, eeeeeeeeca!” e o fato de 89% dos rapazes da McKinley serem uns ogros me pareceu um pouco absurdo, mas coube no universo que a autora criou. A leitura é simples, fluida e garante boas risadas e é quase impossível você não se recordar da sua adolescência com o decorrer das páginas. Mas, para mim, esse não foi o mérito do trabalho da Eulberg.
Não preciso ressaltar que a adolescência é um período difícil na vida de qualquer pessoa e, tampouco, que um coração partido nessa época ganha proporções colossais (falou aquela que escreveu um livro após o primeiro fora da vida). Entretanto, ao invés de focar só na tristeza ocasionada pela desilusão amorosa e nos métodos absurdos criados pelas personagens para nunca mais se apaixonarem, a autora abordou com mais afinco a amizade entre as meninas e como isso conseguiu ajudá-las a superarem suas mágoas. A relação de companheirismo desenvolvida entre as participantes do Lonely Hearts Club mostra às jovens leitoras a importância que é se ter um amigo verdadeiro e não trocá-lo por nada. E é essa mensagem muito edificante sobre amizade e amor o ponto alto do livro.
A leitura é super recomendada não apenas às garotas que estão lidando pela primeira vez com uma primeira paixão, mas a todos aqueles que já foram adolescentes e souberam o que significa ter um coração partido e um bom amigo.

E, claro… A beatlemaníacas como eu!
Até a próxima!