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[Literatura] Não gosto do que você lê, mas apoio o seu direito de ler o que quiser

Uma das primeiras coisas com a qual me deparei quando comecei minha graduação em Letras e tive contato com as disciplinas de literatura foi o preconceito literário. Não é segredo que a academia alimenta seus preconceitos (não é algo generalizado, mas é bem recorrente). Já ouvi os próprios universitários abrirem a boca para dizer coisas do tipo: “clássicos são melhores. Não fazem mais literatura que preste”. O fato é que toda essa discussão (sempre muito polêmica) gerava debates interessantes em sala de aula. Conversávamos e discutíamos muito a respeito, e isso nos ajudava a expandir nossa visão sobre escrita e mercado (pelo menos, para quem mantinha a cabeça aberta, ajudava bastante).
Vocês se perguntam: ok, Kami, mas onde você quer chegar com isso?
Então, a reflexão surgiu hoje pela manhã, depois de eu ter visto o trailer de Cinquenta Tons de Cinza. Não posso falar muito do livro, pois não o li, mas achei o trailer interessante e muito bem feito (palmas para a versão lenta de Crazy in Love, muitas palmas). Mas sabe aquela regra sagrada da internet que diz: “não leia os comentários”? Pois é, eu não obedeci.
Alguns comentários eram do tipo que diziam que o trailer era fraco, não instigava, que os atores não pareciam bons… Até aí tudo bem, cada um tem sua opinião e sua criticidade. Mas aí, eis que me deparo com uma pessoa chamando o filme de “bomba” e fazendo o seguinte comentário (que não foi transcrito com fidelidade para preservar também a pessoa):  Não vou falar do público consumidor para evitar a fadiga.
Opa! Pera lá. Chegamos agora a uma questão muito interessante.


Não, eu não li Cinquenta Tons de Cinza, apesar de ter muita vontade de ler. Sim, também já escutei pessoas me recriminarem por eu falar abertamente que queria conhecer o livro para fazer meu próprio julgamento sobre a obra. Mas você vai ler um livro ruim desses?” Ora, cara pálida, como vou saber se o livro é ruim se eu não li?
Ah, mas é o que as pessoas dizem!, poderão dizer.
O que as pessoas dizem pode ser o que eu não penso. E se eu ler e achar a coisa bacana? Se achar o enredo interessante ou mesmo se gostar da escrita da E. L. James? Eu também serei julgada por isso? E, no fim das contas, qual o problema de eu gostar de um livro sobre BSDM que faz parte da modinha?
Aí a gente volta para o assunto lá de cima, que comecei introduzindo o post. Você pode até não gostar daquele estilo de livro, mas quem é você para julgá-lo sem nem ao menos ter se proposto a conhecê-lo? E, caso já tenha conhecido e, ainda assim, desaprovado o trabalho, quem é você para julgar quem lê e quem gosta? As livrarias estão sempre abarrotadas de livros de vários estilos exatamente para agradar todos os gostos e idades. Todo mundo tem direito de ter suas próprias preferências e escolhas, e não nos cabe rotular ou apontar o dedo e dizer: “isso não presta”. Deixe a pessoa conhecer, descobrir o que lhe agrada ou desagrada. Deixe-a ter suas próprias experiências e vivência com as obras que instigarem a sua curiosidade.


Não sou santa, assumo. Tenho meus próprios preconceitos, meus defeitos. Cometo erros. Já denegri, por exemplo, Crepúsculo em sala de aula e me arrependo amargamente por isso (exatamente porque ignorei que havia alunos ali que gostavam da série e que desenvolveram o gosto pela leitura e pela escrita a partir disso). Mas se há algo que eu tento arduamente é me livrar dessas ressalvas literárias para conhecer o que me é apresentado e respeitar a preferência e o gosto do outro. Nem sempre consigo, porém eu tento. Como falei, não sou ninguém para dizer o que é e o que não é bom para o outro, só posso falar por mim mesma e pelas minhas próprias impressões. Ainda bem! Já pensou se fosse todo mundo igual? Não teríamos diversidade literária. Não teríamos gêneros, nem mesmo estilos. Receberíamos todos um mesmo tipo de livro, com um mesmo formato e uma mesma escrita. Não me parece um panorama muito interessante, não é?

Escutando: Just One of the Guys – Jenny Lewis

Um adendo: nessa semana, o blog Nem um Pouco Épico fez um post sobre preconceito literário e uma série de outras publicações abordando preconceitos com vários estilos. Está muito legal e vocês devem ler. Mesmo.

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Saiu a capa de O Reino do Amanhã – Edição Definitiva

A Panini já tinha anunciado sobre a republicação da história de Mark Waid e Alex Ross, O Reino do Amanhã, se não conhece a história ou não estava sabendo clique aqui. O encadernado chegará as bancas e livrarias do Brasil, possivelmente, só algumas poucas bancas, em um encadenado de luxo, contendo capa dura e trazendo vários extras inéditos.

Reino do Amanhã – Edição Definitiva será no formato 19,5 x 30 cm, terá 336 páginas com papel couché e custará R$ 89,00, para a felicidade de muitos.

E aí, o que acharam da capa e do preço? Eu gostei.

 

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[Diário] A insegurança nossa de cada dia

Sexta, nove horas. Volto cansada de mais uma aula à noite, exausta de ter ficado imprensada, durante um trajeto inteiro, em uma van lotada. Por alguma razão, desço em um ponto que não é o diário. A parada de ônibus que sinalizei fica um pouco mais à frente daquela em que sempre paro. Sigo, só, na rua transversal que dá para minha casa.
Na esquina, me deparo com uma cena pouco comum. Dois rapazes, em cima de uma moto, parecem falar com outro que está em pé, na calçada. Essa foi a impressão que a minha miopia me passou. Forcei um pouco a visão até perceber que, na verdade, não se tratava de um cumprimento de amigos. Um dos caras na moto começou a apalpar o jovem que, rendido, se deixava ser tocado por aqueles dois estranhos. E foi nessa hora em que corri desesperada para entrar na minha casa.
Uma semana depois, é claro, de eu ter lido sobre assaltos que aconteceram com amigos e conhecidos.
Essa não é uma cena incomum, nem aqui em Fortaleza, nem em qualquer outro lugar do Brasil. Tornou-se rotina, algo do cotidiano ao qual nunca nos acostumamos, mas que não temos como ir contra. Fica a raiva, a revolta de ter sofrido uma agressão (às vezes física, às vezes psicológica) e a sensação de impotência. Isso para não falar do medo. Até onde aquela pessoa irá para conseguir o celular que comprei com tanto esforço? O que ela fará comigo se eu pedir, quase encarecidamente, pelos meus documentos e meus trabalhos que estão na minha mochila? Será que ela vai meter um tiro na minha cabeça se eu o fizer? Ou vai estar tão desnorteada que tentará tirar a minha vida de qualquer modo, mesmo depois de ter realizado o assalto?
(Isso sem contar com a paranoia, o pânico de sair de casa e a vontade de se prender em uma redoma.)
Aí vem a grande questão: sua vida está nas mãos de quem anda nas ruas à espreita do assalto.  Não importa a quantidade de impostos que você, cidadão, paga para receber serviços de qualidade (e falo com conhecimento de causa. Sou pagadora de impostos e quito minhas dívidas em dia), a segurança de transitar pela cidade a qualquer hora é inexistente. Você não tem mais o direito de sair sem portar qualquer objeto de valor, por mais miserável que seja, porque um desconhecido pode aparecer no meio do caminho e te agredir se não encontrar nada seu para levar. E você não pode nem expressar a sua revolta porque há aqueles que dizem: “tudo isso é culpa do estado opressor e do capitalismo”. Então, a única coisa que te resta é aceitar que a insegurança virou a lei diária das ruas e torcer para não ser o escolhido da vez.
Porque sim, não há chance nem mesmo de gritar por justiça. Não haverá alguém para te ouvir.

Livros, Resenhas, Uncategorized

[Resenha] A Última Princesa – Fábio Yabu (Galera Record)

Banida de seu lar por um feiticeiro, a Última Princesa de um reino encantado acabou esquecida pelo próprio povo e passa os dias sofrendo com as saudades da terra natal. Mas um novo mundo lhe é apresentado pelo misterioso inventor Alberto, que tem a pretensão de construir uma máquina mágica. Por meio dela a princesa poderá ter a chance de se libertar da maldição, se também for capaz de enfrentar seus medos.

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Livros, Outubro, Uncategorized

[Outubro] Lançamento de Outubro: dia 23/01/2013

É com grande prazer que convido a todos que estiverem em Fortaleza nesta quarta feira, dia 23/01, para irem ao lançamento de Outubro.
O evento realizar-se-á às 18:00, na área Dom Bosco do Colégio Juvenal de Carvalho, localizado na Av. João Pessoa, 4279, no bairro Damas.
Conto com a presença de todos!
Até quarta feira!