Filmes, Quadrinhos

[Filmes] Homem Formiga é sua estreia de Golias

Na quinta-feira passada, tivemos a estreia de mais um personagem da MARVEL nos cinemas mundiais. Homem-Formiga (Ant-Man, 2015) foi mais uma das apostas arriscadas (lembrando que Guardiões da Galáxias também era visto assim) do estúdio no meio cinematográfico. Ora, trata-se de um dos personagens menos conhecidos da editora e que não conseguiu segurar uma grande história em seus arcos! Porém, tentar nunca é demais…

Quando o trailer foi lançado, era confuso, misturando cenas de comédia, drama e ação que não se encaixavam e forçavam uma união. Não dava para criar muitas expectativas com o material de divulgação.
Não sei se todos que foram ou vão ver o filme sabem, mas o Hank Pym, o primeiro Homem-Formiga, é um dos fundadores dos Vingadores nos quadrinhos. No filme, porém, Pym, interpretado pelo velho conhecido Michael Douglas (que retorna com força ao cinema), já está aposentado de seus atos heroicos como Homem-Formiga. Scott Lang, vivido por Paul Rudd, acabou de sair da prisão e foi chamado por Pym para receber o manto do Formiga e acabar com o plano de um CEO ( Corey Stoll) de criar um traje parecido. Além da filha de Pym, Hope (Evangeline Lilly), temos também Luis (Micheal Peña), amigo de Scott que coloco como uns do melhores personagens do filme. Luis é parte do alívio cômico, junto ao Scott, e faz um ótimo papel como coadjuvante.

A atuação de Rudd é cômica como o esperado. Os poderes do Homem-Formiga no filme são bem trabalhados, e você percebe como o traje é essencial ao personagem, atuando na capacidade de encolher e aumentar. Outro ponto bacana é a relação que se forma entre as formigas e o protagonista, pois o herói aqui se transforma em líder para as pequenas. A participação das formigas no filme são as armas do próprio herói, pois o suporte que elas lhe dão são essenciais.
Além da transição entre macro e micro, o longa traz um pano de fundo com teor bastante emocional, onde temos dois pais e duas filhas que precisam se entender de alguma forma. Outro ponto alto é a batalha final, que não precisou de uma cidade destruída para chamar a atenção e impactar (a batalha no trenzinho é fenomenal!)

Como em todo filme desse universo, espera-se que haja referências aos outros personagens. E, bom, acontece. Não vou listar porque pode perder a graça para alguns, mas são simples e estão lá. Basta conhecer um pouco sobre as produções da Marvel.

Homem-Formiga está entregue. As cenas de ação são ótimas, os personagens estão bem encaixados com seus atores, a qualidade gráfica está, ó: foda. Esse filme acertou, e a Marvel provou que suas apostas tem sido corretas. Que venham mais sucessos! A gente só ganha <3

 

Internet, Series

[Séries] Indicação: Sense8

A Netflix, mais uma vez, nos permite ter contato com uma série bem produzida (vide Demolidor, Marco Polo, Orange Is The New Black, etc). Aqui não se tem muito o que contar. Você pode achar a série cheia de propostas ousadas, com pontos que, em um primeiro momento, parecem desconexos, mas que se conectam aos poucos.

Assim, Sense8 (com autoria de Michael Straczynski  – Guerra Mundial Z – e os irmãos Wachowski – Matrix, Cloud Atlas) possui um enredo que prende o expectador e nos coloca a par de 8 pessoas ao redor do mundo que nunca se viram, mas que terão de se virar para sobreviver porque estão sendo caçadas por uma organização que os vê como uma ameaça à ordem mundial. Nada de super heroísmo, nada de poderes. Aqui sua habilidades, suas emoções e sua história de vida é que contam.

Drama e ficção sãos os pontos bases da série, que nos surpreende com seus personagens reais e com culturas e nacionalidades distintas, mas abordadas de uma maneira simples. Alemã, coreana, mexicana, africana… São inúmeras características que fazem com que você se aproxime ou tente, ao menos, criar uma conexão (sem trocadilhos) com pelo menos um dos personagens. Até mesmo os enredos secundários conseguem desenvolver empatia!

Sense8 é uma mistura de credos e morais, na qual barreiras geográficas e/ou culturais são ignoradas e 8 pessoas desconhecidas se conectam mentalmente. 8, mas também 1. Como isso é possível? A primeira temporada está no Netflix, com seus 12 episódios. Saca lá.

Super recomendada 🙂

Aquisições, Colecionáveis, Dolls, Nendoroid

[Colecionáveis] Nendoroid Sakura Card Captors.

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A priori, aconselho a ler esse post ouvindo essa música por motivos de nostalgia. Clique aqui.

Agora sim, vamos ao que importa:

Em novembro do ano passado, foi lançada no mercado, para frenesi dos fãs, a nendoroid da Sakura Card Captors. Para quem não sabe, nendoroids são bonequinhos de plástico da empresa japonesa Good Smile. Completamente desmontáveis, os bonequinhos são no estilo “chibi” ou super-deformed – ou seja, com as proporções do corpo alteradas para causa essa aparência “fofinha”. Eles são feitos de plástico; medem, em geral, 10 cm e custam em torno de 15 dólares.
Logo que eu vi a “nendo” da Sakura, surtei. Sakura Card Captors, ao lado de Sailor Moon, foi um dos meus animes e mangás favoritos da infância. Eu era tão fã que tinha revistinha com a HQ do anime, mangás, estojinho, bolsa, lapiseira, VHS do filme “A Carta Selada”, adesivos… E se pudesse, teria ainda mais coisas. Então, como deixar de lado uma coisa tão absurdamente linda quanto a nendoroid da Sakura?
Minha “nendo” chegou perto do meu aniversário, no início do ano ♥.

1Como eu disse, a boneca é toda desmontável. Você pode trocar a cintura dela (que vem com perninhas dobradas, para ser usadas com o báculo voador ♥), os bracinhos, as mãozinhas, o rosto… Nada é completamente fixo num nendoroid, o que é muito bacana. Você quer mudá-lo toda semana, é mágico!

3O báculo também é desmontável! Temos duas pontinhas dele: uma redonda e uma com um furinho, para você encaixar a carta clow (é a Alada!) que vem com o brinquedo. Mas atenção: MUITO cuidado ao fazer essa troca. Infelizmente, não tive todo o cuidado do mundo e o pino da minha carta quebrou :~ Pelo menos eu o guardei </3
E eu sei que você viu essa foto e pensou imediatamente nisso aqui.

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6Mais detalhes ♥. Não aparece nas fotos, mas a Sakura tem uma calcinha com babados! É MUITO amor!

5Eu sei que você pensou nisso aqui também ao ver essa foto.

7E claro, não podemos esquecer nosso ajudante favorito! Nota para o suporte do Kero: o pino do suporte que se encaixa às costas do boneco é uma bolinha, que permite o Kero se posicionar também de várias formas. ♥

8Nossa equipe favorita ♥

Super aconselho quem quiser comprar uma nendoroid (tanto da Sakura quanto de outros personagens). Os bonecos têm uma qualidade incrível e muitos detalhes, portanto requerem cuidado na hora do manuseio. Só aviso que, infelizmente, a receita está taxando sem dó e nem piedade os bonequinhos :/ Por isso, quando forem comprar, separem logo o dinheiro da taxa </3.

Espero que vocês tenham gostado do post! Grande beijo a todos!

 

Filmes

[Filme] Divertida Mente – Pixar

Todos sabemos que a mente humana é complexa. São várias qualidades e processos mentais; sentimentos; memórias armazenadas… Não é fácil compreender o que acontece dentro da nossa cabeça. Por isso, não dá para descrever Divertida Mente (Pixar, 2015) com outros adjetivos senão ousado e inovador. Desmembrar a psicologia e a psiquiatria humana de uma maneira interessante e acessível em uma animação? Não tinha como essa iniciativa não ser genial.

No filme, somos apresentados à pequena Riley logo em seu nascimento e acompanhamos seu crescimento pela ótica dos personagens principais do longa: suas emoções. Através de Alegria, Tristeza (minha favorita, por sinal), Raiva, Medo e Nojinho (♥), conhecemos a infância tranquila e feliz de Riley. Porém, uma mudança inesperada de cidade transforma esse panorama, trazendo uma revolução à cabeça da menina. É nesse ponto que o longa ganha força e se desenvolve.

São sacadas geniais do início ao fim. Não tem como não considerar Divertida Mente um dos filmes mais profundos e mais significativos da história da Pixar. É sobre psicologia, gente! Então, iremos nos deparar não apenas com as emoções básicas personificadas com cores e texturas, mas também com a maneira como funciona o armazenamento de memórias; com os aspectos que definem a personalidade de alguém (representados no filme por “ilhas” ligadas à sala de controle); com a representação do inconsciente, o funcionamento dos sonhos, a musiquinha chata que gruda na nossa cabeça e não sai de jeito algum… Tudo isso trabalhado de uma forma de fácil entendimento não somente para crianças, mas também para qualquer expectador que não tenha qualquer noção sobre o assunto. Durante as quase um hora e meia de exibição, não consegui parar de pensar em como deve ter sido complexa a pesquisa para a construção do longa.
Outra coisa importante de se falar a respeito de Divertida Mente é a mensagem transmitida. Ainda que vejamos na tela as atividades da cabeça da Riley, é sobre nós mesmos a quem o filme se refere. As emoções básicas não se restringem apenas a uma pessoa, são parte da essência humana e de quem somos. Portanto, cabe a nós respeitá-las independente de quais sejam. Dessa forma, também poderemos nos respeitar no momento em que sentirmos algo. Quem nunca tentou reprimir um acesso de raiva ou lágrimas quando se estava triste? As emoções existem por um motivo e merecem ser sentidas. Esse é o funcionamento natural da nossa psiquê.

Pixar, obrigado por mais uma bela animação emocionante <3

Divertida Mente está em exibição nos cinemas nacionais.

Quadrinhos, Resenhas

[Quadrinhos] Pânico no José Walter – O maníaco que seviciava mulheres – Talles Rodrigues

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A primeira vez que escutei falar sobre Pânico no José Walter – O Maníaco que Seviciava Mulheres (Independente, 2014), foi através da Juliana Rabelo, minha amiga, que divulgou o projeto através do Facebook. Na época, o Talles estava arrecadando fundos pelo Catarse (uma plataforma de crowdfunding que merece ser conferida!) para a publicação e não pensei muito em ajudá-lo na sua empreitada, mas, por um distúrbio na força, não consegui pagar a tempo. Não participei da arrecadação, mas, para mim, era impossível deixar de conferir o trabalho de um quadrinista que aborda uma das lendas urbanas mais famosas da nossa terrinha.

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Explicando o contexto geral do trabalho e da história: para quem não sabe, Pânico no José Walter surgiu como o TCC do Talles Rodrigues, que estava se formando em jornalismo pela Universidade Federal do Ceará.  Logo, o quadrinho é uma forma de reportagem investigativa sobre um caso criminoso que deixou Fortaleza – principalmente o bairro José Walter – de cabelos em pé no final da década de 80. O maníaco em questão é o Cortabundas – um rapaz que entrava de madrugada na casa  de várias idades e cortava com navalha suas nádegas. A série de ataques durou por volta de dois anos e, até hoje, há controvérsias a respeito da autoria dos crimes. A história acabou se tornando uma lenda urbana do imaginário cearense, mas, segundo Talles, estava começando a cair no esquecimento coletivo.

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O livro é muito, muito bom. O desenho de Talles não é cheio de detalhes, mas é muito bonitinho. Lembra os traços de Bryan Lee O’Malley, autor de Scott Pilgrim, e os desenhos da Cartoon Network e, em alguns momentos, ganha traços típicos dos mangás – o próprio autor assumiu que é fã da cultura japonesa e que, quando adolescente, foi otaku.  É legal salientar que Talles se retrata nos quadrinhos, narrando suas andanças atrás de material para o TCC, e isso cria um elo de intimidade entre o leitor e o autor. Você ri do desespero do rapaz, da sua timidez na hora de entrar em contato com seus entrevistados, e acaba se sentindo vitorioso por ele ter alcançado os seus objetivos. Outra coisa muito bacana foi que o Talles manteve o nosso jeito “cearês” de falar. Eu não consegui reprimir o sorriso ao ver as personagens falando coloquialmente, e isso foi outro fato de aproximação entre público e criador.

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A respeito do Cortabundas, não posso falar muitas coisas, pois, senão, entrego pontas importantes. Apenas saliento que não conseguirei mais enxergar o José Walter da mesma forma – e, assumo, houve momentos em que fiquei bastante assustada lendo. Já imaginou ser vítima de um desconhecido que entra na sua casa para… cortar suas nádegas? E viver numa sensação de insegurança, de pânico e paranoia (não que hoje estejamos muito diferentes, mas…)?

Pânico no José Walter – O maníaco que seviciava mulheres é leitura indicadíssima – tanto para as pessoas da terrinha quanto para os de fora. Vocês não se arrependerão de ter esse material em mãos – vale muito a pena!
Muito orgulho de você, Talles! Parabéns pelo excelente trabalho!

Inspiração, Internet

[Inspiração] Doze fotos de ambientes de trabalho para você se inspirar!

Já faz algum tempo que penso em transformar um dos quartos daqui de casa em um escritório bonitinho (logicamente, depois de tirar toda a tralha que tô deixando acumular por pura falta de vergonha na cara). Tenho ideias sobre como quero que tudo fique, qual cor repintar as paredes (porque a tinta delas ainda é a da primeira pintura que nossa casa levou), quais estantes e mesas comprar… Enfim, a imagem mental está quase cem por cento definida.
Porém, mesmo com um direcionamento sobre o que eu quero, vez ou outra vou lá no We ♥ It para buscar inspirações para a decoração. Sério, gente, não tem como não se apaixonar pelas coisas que a gente vê lá! Dentre as várias opções que achei lá, escolhi doze para mostrar aqui. Infelizmente, não encontrei os nomes dos autores das fotografias 🙁 Por isso, se vocês souberem, me avisem para que eu possa dar os devidos créditos! <3

(Completamente apaixonada por esse turquesa <3)

(Uma boa solução para quem gosta de anotar os afazeres ou tem criança pequena em casa que adora riscar uma parede)

(Eu <3 Fairy lights!)

(É tudo tão organizadinho e rosa que, ARGH <3)

(Quadro de inspiração – perfeito para as mentes ativas)

(Fiquei apaixonada pela forma como a pessoa organizou as imagens. A composição é maravilhosa)

(Só não curti muito o tapete de zebra, ainda que não tenha sido feito com… zebras)

(Ah, a organização <3)

(Mais fairy lights porque eu AMO!)

(Roxo com verde e laranja é puro charme!)

(Sou louca por essa paleta de cores. Tons frios me acalmam e, como quase sempre estou ligada a 220V, ambientes assim são adequados para mim)

(Sério, a organização dos livros tá uma coisa de linda! Sem contar que o lugar é super romântico e aconchegante, né?)

E aí? Como vocês imaginam que seria o lugar de trabalho perfeito para vocês? Não se esqueçam de nos contar!
Abraços!

Cotidiano, Crônicas, Literatura, Literatura Nacional, Livros, Os Olhos de Ravena, Outubro, Yume

[Literatura] Porque desperdiço meu “talento” escrevendo livro Malhação: e porque eu gosto tanto

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(A Pequena Sereia, por Arthur Rackham)

Recentemente, estava eu conversando com uma pessoa querida sobre literatura – saliento que eu gosto bastante de conversar com esse amigo sobre livros, pois temos gostos relativamente parecidos  e isso gera boas discussões. Eis que, durante um momento acalorado da conversa, surge a seguinte afirmação por parte dele:

“Não sei porque você desperdiça seu talento escrevendo livro Malhação”

Minha primeira reação foi ficar calada, meio surpresa, meio espantada, meio sem saber como reagir. Não é de hoje que eu sei que meu amigo não aprecia literatura voltada para jovens, então não fiquei tão abismada pela afirmação. A questão aqui é que eu não entendi se isso foi um elogio, uma crítica ou uma desvalorização federal ao meu trabalho. Só sei que sorri de forma amarelada e continuei conversando sobre outros assuntos, evitando voltar o foco da conversa para mim.
Mas o fato é que isso me fez pensar. E ao invés de me sentir elogiada por ser considerada talentosa, me senti extremamente ofendida. Triste até, porque jamais me senti desperdiçando tempo por dedicar minhas duas publicações (incluindo a terceira que está por vir) a um público adolescente. Não fiquei com raiva do meu amigo porque eu respeito a sua opinião, porém é inevitável não se sentir mal por isso.
Foi então que eu resolvi dissertar um pouco sobre o assunto – e explicar porque eu dedico minha escrita a uma faixa etária que é tão desprezada.
Vamos começar pelo ponto que: não acredito em talento nato. Se tem uma coisa que a faculdade de Design me ensinou é que talento é algo pífio se você tiver predisposição e boa vontade. Se você gosta de escrever, escreva. Se gosta de desenhar, desenhe. Existirá um momento em que a prática intensa e o estudo vão te tornar um artista melhor. Mas se você faz tudo isso com maestria desde os três anos de idade, só posso te dar os parabéns e afirmar que você é um caso entre mil. Para a maioria das pessoas, a coisa só funciona com muito esforço.
Por isso, eu não me considero exatamente talentosa – me considero muito, muito esforçada. Há quem diga que eu sou boa escritora, mas, se pegarem os cadernos em que eu escrevia minhas histórias de bruxas e alienígenas com onze anos, com certeza iriam querer chorar.  Logo, não nasci como a Kamile de 22 anos: eu pratiquei muito para chegar no meu nível atual e levei anos para isso.
Salientado isso, vamos ao segundo ponto: não tenho o menor interesse em ser escritora academicista. Admiro quem escreve pela paixão à linguagem e se empenha em fazer construções lexicais extremamente bonitas, prezando muito mais pela linguagem do que pela história em si. São textos bonitos de se ler e eu gosto bastante de alguns, mas não esperem que eu reproduza isso – e simplesmente porque não me interessa. Posso ler e gostar de trabalhos que sigam essa linha, porém não é meu estilo e não será algo que farei. É como gosto musical: não me esperem me encontrar num show de forró ou num baile funk, assim como não esperem que eu lance um livro que será aclamado como obra prima pelos acadêmicos. Não tenho a menor vontade.
Terceiro ponto: livros com temática infanto-juvenil e juvenil são extremamente importantes para o crescimento do leitor. Você pode até não gostar de livros direcionados para essa faixa etária e ter começado suas leituras com Dostoiévski, mas nem todo mundo é como você. Tenho uma amiga que perdeu o prazer pela leitura quando a escola a obrigou a ler clássicos literários sem antes prepará-la como leitora para essas obras, mais ou menos quando ela tinha treze anos de idade. Fico me perguntando se, caso ela tivesse continuado a ler os livros do Pedro Bandeira e da Giselda Laporta Nicolelis – dois autores que nós líamos muito, isso teria acontecido.
O leitor que está amadurecendo precisa de livros que conversem com a sua faixa etária, que possam despertar o prazer da leitura para, futuramente, ele conseguir ler os clássicos sem sofrimento e apreciando o que está lendo. E se ninguém se propuser a escrever para esses jovens, quem o fará? Quem vai mostrar a um adolescente que ler é tão legal quanto ir a um cinema? Quem vai poder mostrar a essa garotada heróis que passam pelas mesmas dúvidas e transformações da adolescência? E outra: será que trabalhos de grandes escritores juvenis têm menos qualidade literária por serem direcionados a um público jovem? Será que devemos desprezar o que C.S. Lewis, J. K. Rowlling, Pedro Bandeira, Paula Pimenta, Rick Riordan, John Green e Babi Dewet fizeram porque eles são para pré-adolescentes e adolescentes? Eu acredito que não.
Dito isso, entro no meu último ponto: eu gosto MUITO de trabalhar com adolescentes. E essa é uma das principais questões a meu ver. Eu gosto de ver minhas priminhas de doze e onze anos falando que querem ler meus livros, interessadas pelo assunto deles. Eu gosto de quando a irmã mais nova de uma das minhas melhores amigas fala para mim que gostou tanto de Outubro quanto de Yume e fica super feliz em conversar sobre livros comigo. E um dos momentos mais emocionantes para mim como escritora foi conversar com minha leitora de dezoito anos e ver que ela ficou feliz por me encontrar – e que havia amado Yume. Essas são coisas que aquecem o meu coração e que me fazem sentir que meu trabalho valeu algo, sim.
É uma escolha minha “desperdiçar meu talento com adolescentes”. Não que isso implique que tudo que eu produzir será direcionado para esse público – até porque, como escritora e amante da linguagem, gosto sempre de me explorar e descobrir até onde posso ir -, mas eu escolhi conversar com esses meninos através dos meus livros, poder incentivá-los à leitura da mesma forma que fizeram comigo quando eu tinha a idade deles. Posso não ser a mestra nas construções sintáticas ou uma pessoa que será aclamada pela academia, porém, desde que comecei a escrever, jamais pensei em ser elogiada como uma nova Machado de Assis: eu gosto de contar histórias e isso é tudo.  E enquanto eu tiver pessoas ao meu redor, materializadas no papel e prontas para ouvir o que tenho a dizer, continuarei contando minhas histórias – com teor de Malhação ou não.

Cotidiano, Filmes, Inspiração

[Filme] Cinco indicações que fazem você repensar a vida

Vez ou outra, me pego pensando em alguns filmes que nos ensinam  um pouco sobre “como viver” ou nos fazem pensar sobre “o que você estamos fazendo da nossa vida?” Sabe, aqueles filmes que dão uma boa mensagem no final, como uma moral das histórias antigas, nos levando a um estágio de reflexão sobre quem somos e o que vivemos.
Tentei pensar e colocar alguns filmes que falam sobre o assunto. Selecionei cinco deles, todos, digamos, atuais. Seguem:

1- A Vida Secreta de Walter Mitty (2013)

Em uma mistura de sonhos e realidades, Walter tenta encontrar um propósito para viver e ser o que ele sempre quis: alguém. Não que ele não seja, pois trabalha para uma revista importante, mas Ben Stiller, além de atuar e dirigir, traz um tom dramático ao protagonista no remake de O Homem de 8 Vidas (1948). Um lindo trabalho, por sinal.

2- Na Natureza Selvagem (2007)

O filme é inspirado no livro sobre a vida de Chris McCandless, um jovem que larga uma vida estável para se aventurar pelo Estados Unidos com um destino em mente: Alasca. O filme é muito bonito, com ótimas lições sobre desapego e reflexões sobre relacionamento social, além de ter uma trilha on the road feita pelo Eddie Vedder.

3- Mesmo Se Nada Der Certo (2014)

Um casal de músicos e um produtor musical desprestigiado são os personagens principais dessa trama musical. Seguindo a receita de Apenas Uma Vez (2006), o filme coloca em cheque momentos de reflexão sobre a vida. Talvez sobre aceitação, talvez sobre mudança – você decide.

4- À Procura da Felicidade (2006)

Uma história sobre superação. Isso resume bem o longa que traz uma emocionante trama, sobre como um pai busca “dar a volta por cima” e dar uma vida digna ao seu filho pequeno.

5- Livre (2014)

Uma busca sobre autoconhecimento e amadurecimento: Livre traz a história da autobiografia de  Cheryl Strayed, uma mulher “quebrada” pelos acontecimentos de sua vida e que precisa encontrar e se reconectar com seu lado firme e não destrutivo. Para isso, ela se dispõe a andar da fronteira do México até o Canadá pela Pacific Crest Trail, uma das trilhas mais difíceis dos Estados Unidos.

Esses são alguns dos filmes que me fizeram pensar e refletir. Vocês têm algum longa que lhes cause a mesma reflexão? Não deixe de nos contar!

Até a próxima!

Crônicas, Literatura

[Literatura] Querida Saraiva, queria te dizer algumas coisas.

Querida, Saraiva, adoro você. Amo ir à sua loja – principalmente quando tenho dinheiro para sair de lá cheia de sacos. Amei ter lançado o meu primeiro livro em sua instalação cearense. Adoro acompanhar as novidades e promoções e adoro mais ainda o seu site. Porém, admito que fiquei profundamente desgostosa com o teor dessa mensagem. Ainda que eu saiba que esse posicionamento não represente a franquia como um todo – assim espero, gostaria de salientar alguns pontos pelos quais o seu social media errou – e feio.
Começamos pelo fato de que minha edição de A Culpa das Estrelas saiu da sua loja, numa das várias promoções online que já fizeram. Serviço bom, o livro chegou lindo e rapidamente em minhas mãos. Li em dois dias e fiquei satisfeita com a minha compra. Portanto, partindo desse princípio, imagine o quão surpresa fiquei ao ver uma mensagem como essa em sua conta no Twitter. Querida Saraiva, não me leve a mal, mas eu jamais tive vontade de ler As Crônicas de Gelo e Fogo – inclusive, vendi a edição que eu tinha em casa e que nunca saiu do plástico. E não sei onde existe uma placa classificando a obra de George Martin como cultura em detrimento da obra do John Green, ou que amo ler menos por causa disso.
Aí, eu entro em outro ponto de discussão: por que o sujeito dessa frase é uma menina? Compreenda, Saraiva, que eu, Kamile, não consigo mais classificar uma obra destinada a um gênero. Isso é tolice. Não é porque o menino não tem uma vagina que ele não possa ler e gostar de Meg Cabot, assim como não é porque a menina não possui testosterona a mais que ela não goste de autores de mangá shonnen. Assumo que existe um público consumidor que pode se orientar pelo gênero, mas, na livraria, pega aquele volume quem quer. Livros não têm sexo, porque quem quer ler vai fazê-lo independentemente da própria genitália. E esse seu posicionamento salienta um pensamento machista que vivo me deparando em qualquer canto que eu vá, com qualquer obra que é enxergada como “livros para menina” porque possui um teor de romance a mais ou porque a protagonista é uma garota. Quer dizer que um rapaz não pode se emocionar com o romance de “A Culpa é das Estrelas” e abominar a violência da série do Martin? Isso é proibido?
Você sabia, Saraiva, da quantidade de gente que torce o nariz para livros juvenis? Da quantidade de gente que ri de quem assume abertamente que gosta de Crepúsculo ou obras que sejam mais românticas? É bastante comum, se quer que eu fale a verdade. Livros juvenis vivem sofrendo detrimento na grande massa, com sua qualidade posta a menos que outros livros aclamados por um público mais velho. Imagine, então, livros que trabalham mais um romance entre dois protagonistas adolescentes? Há muito preconceito contra esse gênero e, sinto dizer, querida Saraiva, que a sua afirmação endossou um coro preconceituoso, que provavelmente aplaudiu e riu de quem prefere o John Green. “Se até a Saraiva está falando isso, é porque é verdade, não é?”
Querida Saraiva, finalizo dizendo que eu, como consumidora da sua franquia há anos, me senti ofendida. Não sou obrigada a ler George Martin porque, para vocês, ele é cultura e o John Green não. Livros como A Culpa das Estrelas não valem menos que um A Guerra dos Tronos e cultura não é apenas o que uma pessoa considera que seja. Espero que nunca mais encontre uma mensagem dessa em suas redes sociais – porque senão, sinto dizer, irei procurar Cultura em outro lugar e de preferência, em franquias que prezem por isso logo no seu próprio nome.